Protestos chegada da tocha

Protestos em Brasília marcaram a chegada da tocha olímpica (Foto: Jonas Moura)

Jonas Moura
03/05/2016
12:33
Enviado Especial a Brasília (DF)

A chegada da chama olímpica de Genebra (SUI) a Brasília nesta terça-feira para o início do revezamento da tocha dos Jogos Olímpicos Rio-2016 contrariou o desejo do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach.

O evento despertou manifestantes de diversas posições. Muitos exibiram cartazes contra e a favor do governo de Dilma Rousseff, e houve confusões no momento em que condutores se preparavam para levar o fogo simbólico, com necessidade de ações da polícia nos arredores do Palácio do Planalto. Uma mostra do que pode ocorrer em agosto.

Grupos favoráveis ao governo entoaram “Não vai ter golpe” em referência ao processo de impeachment da presidente, aprovado pela Câmara dos Deputados e à espera de votação no Senado neste mês. Apesar do clima turbulento, ela participou da cerimônia de acendimento da pira normalmente e entregou a tocha à bicampeã olímpica Fabiana, que iniciou o percurso pela capital federal. Nenhum condutor foi prejudicado.

Mas as manifestações não foram restritas a Dilma. No percurso dos primeiros dez carregadores da chama, diversos grupos de pessoas correram gritando “Cunha, Ladrão, seu lugar é na prisão”, em contestação ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Um “Pixuleco”, boneco que faz caricatura do ex-presidente Lula, despertou confusão. A polícia disparou gás de pimenta para acalmar os ânimos em meio à corrida da tocha.

Ainda houve protestos, rapidamente contidos pelos policiais, à Nissan, uma das patrocinadoras do revezamento. Cartazes diziam: “Nissan, cadê o espírito olímpico?”. A empresa foi alvo de polêmica por ter optado inicialmente por não ceder gratuitamente as tochas aos seus condutores. Após forte pressão, ela informou que o benefício será dado.

Antes, Dilma discursou na cerimônia oficial de acendimento da tocha e disse confiar na tolerância do povo brasileiro. Acrescentou que crê no sucesso da Olimpíada do Rio, apesar dos problemas que o país enfrenta atualmente. É provável que o vice Michel Temer seja o presidente da República na época dos Jogos.

– Nós sabemos as dificuldades políticas que existem em nosso país hoje e conhecemos a instabilidade. O Brasil será capaz de, mesmo no período difícil e verdadeiramente crítico da democracia, conviver – afirmou Dilma, na presença do presidente do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, e do ministro do Esporte, Ricardo Leyser.

* O repórter viaja a convite da Coca-Cola