Mario Andrada, diretor de comunicações da Rio-2016, fala sobre o impacto do zika vírus nos Jogos Olímpicos (Foto: Vanderlei Almeida/AFP)

Mario Andrada, diretor de comunicações da Rio-2016, fala sobre o impacto do zika (Foto: Vanderlei Almeida/AFP)

Daniel Bortoletto
02/02/2016
14:32
Rio de Janeiro (RJ)

Na segunda-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou um sinal de alerta mundial: o zika vírus é uma emergência de saúde pública internacional e requer medidas urgentes em todo o planeta. Nesta terça, o Comitê Organizador dos Jogos Rio-2016 reuniu especialistas para abordar o assunto e fazer recomendações para as delegações.

Sem adotar um tom alarmista, as autoridades presentes no evento, no Rio de Janeiro, revelaram que o Comitê Olímpico Internacional já está refazendo recomendações aos comitês nacionais, como manter janelas fechadas na Vila dos Atletas, usar vestuário apropriado e usar repelentes.

- Mas o mais importante são as ações preventivas que o Comitê já vem tomando em conjunto com as autoridades na inspeção de criadouros e erradicação deles. A vigilância é permanente das possíveis áreas em que pode se transmitir. Todos sabem que o vetor é o mosquito. Esperamos que em julho e agosto a infestação caia drasticamente, e com isso a zika também vai acompanhar – comentou João Grangeiro, diretor de serviços médicos do Comitê Rio-2016.

Já Daniel Soranz, secretário municipal de saúde, disse ainda que a Barra da Tijuca, região que concentra o maior número de instalações olímpicas, não é um dos principais focos de concentração do mosquito Aedes aegypti, que transmite dengue e zika vírus:

- É uma área de predominância de outro tipo de mosquito, o culex. Já estamos fazendo ações rotineiras para diminuir número de mosquitos. E o culex não transmite doença. Gera apenas um incômodo - explicou.

Alexandre Chieppe, subsecretário de vigilância e saúde do estado, disse ainda que Governo Federal poderá usar as Forças Armadas para aumentar o efetivo de agentes para realizar vistorias.

Por fim, o Comitê Organizador dos Jogos garantiu ainda que não existe qualquer restrição no orçamento para ações de combate ao zika vírus.

A última vez que a OMS havia feito um alerta mundial foi em agosto de 2014, quando o surto de ebola se expandia em países da África.

Sobre o zika

A preocupação da OMS é a velocidade de disseminação do vírus e as consequências devastadoras. A principal delas é a possível vinculação do zika com casos de bebês que nascem com microcefalia (má-formação do cérebro). Há 270 casos de microcefalia confirmados no Brasil e 3.448 em estudo.

Atualmente não há vacina ou medicamento para o zika. Os sintomas da doença são: febre, dor de cabeça e no corpo e manchas avermelhadas.

Nas Américas, 26 países já relataram casos de zika vírus. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, entre 3 milhões e 4 milhões de pessoas poderiam ser contaminadas pelo vírus em 2016. O Brasil é o país mais afetado, com cerca de 1,5 milhão de casos desde abril.