Jonas Moura
26/06/2016
11:40
Rio de Janeiro (RJ)

Em obras, o velódromo dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016 foi entregue neste domingo pela prefeitura do Rio de Janeiro ao Comitê Organizador do evento. Com representantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do governo federal, o prefeito Eduardo Paes repassou aos novos responsáveis a última chave que restava de uma das novas instalações esportivas.

– Esta arena foi a única que deslizou, o que tirou a minha quase arrogância de dizer que fazemos tudo no prazo e no custo. Infelizmente, não posso dizer que entregamos no tempo certo, mas mantivemos a tese do custo – disse Paes.

A maior preocupação era finalizar a pista de pinho siberiano. Os organizadores garantem que o campo de competição está pronto, mas dizem haver pendências em estruturas temporárias, na pavimentação, na decoração e no sistema elétrico. Trechos da instalação foram cobertos com panos pretos. Jornalistas não puderam circular na arena, 97% finalizada, segundo a prefeitura.

– O setor que vai atender aos expectadores e  à imprensa, a estrutura de cabeamento e a parte elétrica são exemplos do que ainda que falta. Temos tudo em nosso radar e não estamos preocupados. O importante é a parte da pista pronta para os atletas treinarem – afirmou Gustavo Nascimento, diretor de instalações do Comitê.

Desde sábado, o velódromo recebe um evento com a presença de 34 atletas, sendo 15 brasileiros. É uma forma de saber como está o local na avaliação de competidores, já que o evento-teste de ciclismo de pista precisou ser cancelado por causa dos atrasos no cronograma inicial. A entrega deveria ter acontecido no quarto trimestre do ano passado. 

– Vamos continuar fazendo ajustes em todas as instalações, para que elas fiquem realmente perfeitas para os Jogos – completou Gustavo.

A responsável pelo projeto inicialmente, a Tecnosolo, venceu a licitação mesmo em recuperação judicial. Com o agravamento dos problemas financeiros da empresa, Paes rescindiu o contrato no dia 17 de maio. A conclusão ficou a cargo da Engetécnica, que já havia sido subcontratada pela primeira para auxiliar nos trabalhos.

– Estou satisfeito. Ainda faltam detalhes, mas o principal, que é a parte dos atletas, está muito bom. Estamos com brasileiros e suíços testando a pista e temos um retorno muito positivo – disse o diretor de Jogos Olímpicos do COI, Christophe Dubi.

O velódromo foi orçado em R$ 143,6 milhões, após sofrer um aditivo de R$ 24,8 mi. A maior parte dos recursos (R$ 112,9 milhões para construção e R$ 5,9 milhões para manutenção) é do governo federal. O restante cabe à prefeitura.

A inauguração estava prevista para o último sábado, mas foi adiada pelo prefeito. A justificativa oficial era de mudança na agenda do politico. Paes, no entanto, admitiu que a mudança ocorreu para que a fachada pudesse ser concluída. Ainda assim, havia máquinas e operários na parte externa.

– Eu não queria entregar esta chave ao (Carlos) Nuzman (presidente do Comitê Rio-2016) sem todas as lâminas da fachada colocadas. Ganhamos 24h e botamos a turma para trabalhar. Eles viraram a noite fazendo as últimas fachadas – disse Paes.

Ciclistas veem poeira na pista

Os ciclistas não demonstraram preocupação quanto à pista do velódromo, mas a poeira chamou a atenção do suíço Gael Suter, um dos 34 atletas que participaram do teste.

– Não está pronto e há poeira, mas é uma boa pista. Acho que ela será ainda mais rápida até os Jogos. Foi bom vir para conhecer – disse o atleta.

O Comitê Rio-2016 explicou que o local já passou por limpeza, mas ainda há resíduos da obra.

– Haverá trabalhos para evitar perfurações no concreto e não gerar mais poeira – afirmou Gustavo Nascimento, diretor de instalações do Comitê.