Tiro

Centro Nacional de Tiro Esportivo recebe evento-teste para a Olimpíada (Foto: Jonas Moura)

Jonas Moura
17/04/2016
08:05
Rio de Janeiro (RJ)

A Federação Internacional de Tiro Esportivo (ISSF) não ficou muito satisfeita com o que encontrou no Centro Nacional da modalidade, localizado do Complexo Esportivo de Deodoro. A instalação recebe a etapa brasileira da Copa do Mundo, que serve como evento-teste para a Olimpíada Rio-2016.

Embora dentro do cronograma do megaevento, já que a entrega está prevista para acontecer no segundo trimestre deste ano, o palco que receberá mais de 800 atletas até o dia 25 de abril deixou a desejar no stand das finais. Parte das arquibancadas só ficou pronta no sábado, com a disputa em andamento, e ainda falta finalizar o serviço. Também restam obras de iluminação nas arenas.

– O maior problema é que as obras não estão prontas para o evento-teste. O design é muito satisfatório, há aspectos positivos, mas tenho certeza de que veremos nos Jogos Olímpicos algo muito mais impressionante do que agora – declarou o vice-presidente da ISSF, o americano Gary Anderson, ao LANCE!.

Gary Anderson
Gary Anderson está no Brasil para o evento-teste (Foto: Paola Hidalgo)

As últimas semanas não foram das mais tranquilas em Deodoro. O L! apurou que a Empresa Municipal de Urbanização (Riourbe) precisou assumir os custos com as empresas subcontratadas pela Queiroz Galvão, empreiteira responsável pela área norte do Complexo Esportivo. Essas terceirizadas têm especializações distintas. Se não fosse o acordo, o prejuízo para o evento-teste seria maior.

A decisão foi tomada nos dias que antecederam a abertura da etapa da Copa do Mundo. Quem financia o empreendimento olímpico é o governo federal. O conjunto da área norte custou R$ 643,7 milhões. Uma parte dos recursos (R$ 130 milhões) está bloqueada na Justiça por suspeitas de irregularidades em documentação de serviços de terraplanagem já prestados. 

– Faltam ajustes, faltam obras. Mas nada que nos preocupe. A construtora terminará a tempo. Instalação deixou de ser o problema. Passamos desta fase. Temos equipes para isto, mas a discussão agora é operacional. Não ficamos debruçados mais em planta e cronograma – afirmou o diretor de instalações do Comitê Rio-2016, Gustavo Nascimento.

Na avaliação da Federação Internacional, as áreas onde são disputadas as eliminatórias de pistola de ar, carabina e tiro ao prato estão entre 90% e 95% do nível ideal. Há detalhes a serem acertados, mas nada que fuja do esperado em um evento-teste. Já no palco das finais, os dirigentes consideram que o local está 50%.

– Temos confiança de que tudo ficará pronto. Há muito trabalho a ser feito, mas as pessoas do Comitê estão muito empenhadas em corrigir o que falta e encerrar as obras que ainda restam aqui – avaliou Anderson.

Brasileiro número um do mundo fica fora da final

O brasileiro Felipe Wu, número um do ranking mundial do tiro esportivo, não foi feliz em sua participação na etapa brasileira da Copa do Mundo. No sábado, o atleta terminou a eliminatória da pistola de ar 10m na 16ª colocação. Apenas os oito melhores avançam às finais. O ouro ficou com Pablo Carrera (ESP).

– Tive um momento de desconcentração. A prova teve um nível bom, em um dia em que muitos atletas de ponta não conseguiram chegar à final. Estava quente, mas não posso culpar outros fatores. Agora, eu quero continuar melhorando para que na Olimpíada isso não aconteça – afirmou Wu, que somou 578 pontos, a apenas dois de entrar na zona de classificação para a fase seguinte.

Apesar de ter alcançado o topo do ranking, o brasileiro garante que a rotina dele não sofreu mudanças.

– De verdade, nada mudou. É histórico, mas tenho os pés no chão – disse.

O sul-coreano Jin Jong-Oh, atual campeão olímpico da prova, que antes era apontado como um dos principais favoritos, foi o 12º colocado.

Outros brasileiros também não tiveram bom desempenho: Júlio Almeida foi 26º, e Stenio Yamamoto, 62º.

Felipe Wu
Felipe Wu é líder do ranking mundial (Foto: Divulgação ISSF)