Seleção olímpica que jogou contra a África do Sul, em março (Foto: CBF)

Seleção olímpica que jogou contra a África do Sul, em março (Foto: CBF)

Igor Siqueira
12/07/2016
10:24
Rio de Janeiro (RJ)

De quatro em quatro anos, é a mesma novela. Mas parece que quando se fala em liberação de jogadores para o torneio olímpico de futebol, a montanha a ser transposta ficou ainda maior para a Rio-2016. O drama não é exclusividade do Brasil. Tampouco dos sul-americanos, como argentinos e colombianos, já que Portugal também passa pela mesma situação, por exemplo.

Mas afinal, qual o motivo de tanta dificuldade para se conseguir montar uma Seleção para os Jogos Olímpicos? Quem explica o ponto de vista dos clubes é o vice-presidente da Associação Europeia de Clubes (ECA, sigla em inglês), Umberto Gandini, que também é diretor executivo do Milan.

Em entrevista ao LANCE!, Gandini cita que o problema fundamental é de calendário.

- Nós trabalhamos todos os anos com a Fifa e várias confederações sobre o calendário, temos aprovado o cronograma internacional até o Mundial do Qatar. Todas as janelas de liberação de jogadores estão previstas. E não estão as Olimpíadas - cita Gandini, que acrescenta:

- É uma manifestação do Comitê Olímpico e não da Fifa. E as datas mudam de quatro em quatro anos. São menos regulares. Do ponto de vista dos clubes, nem sequer há conflito com as seleções, porque não tem liberação obrigatória. Isso já está definido.

De fato, a Fifa não crava que os clubes são obrigados a liberar jogadores para os Jogos Olímpicos - ainda que sub-23 -, mesmo sendo a própria entidade de Zurique a responsável por regulamentos e organização do torneio do futebol, por exemplo. Mas o fato de os clubes "terem razão" não inibe o desconforto.

- É um problema para todos. Para federações, clubes e jogadores, infelizmente. Os jogadores são profissionais e têm contrato - acrescenta Umberto Gandini.

Mas os clubes Europeus, visto como vilões no ponto de vista das seleções, não têm - pelo menos por parte da ECA - feito um lobby para que o futebol saia dos Jogos Olímpicos. Em vez disso, chegou a propor alternativas, que não foram aceitas pelas outras entidades.

- Não é nossa intenção tirar o futebol da Olimpíada. Não é um problema nosso. Mas seguramente uma das soluções poderia ser abaixar a idade, tornando a competição sub-19, preparando as equipes para o Mundial Sub-20, que acontece no ano seguinte. Foi uma proposta discutida, mas o Comitê não quis - explicou o dirigente italiano.

Gandini ainda chama a atenção para o fato de já ter havido competições internacionais neste meio do ano.

- Não nos esqueçamos que em 2016 já tivemos Eurocopa, Copa América... Os jogadores já tiveram muita atividade pelas seleções - encerra.

Com os clubes tendo razão legal para vetar a vinda de jogadores para a Rio-2016, fato é que as equipes estão virando uma colcha de retalhos. Pelas convocações - inclusive a do Brasil - estão vindo os que podem e não os que são melhores.

No Brasil, por exemplo, não houve liberação para o goleiro Ederson, do Benfica, o lateral-direito Fabinho, do Monaco, entre outros. O mesmo caminho deve ter o meia Fred, do Shakhtar Donetsk.