Jonas Moura
15/08/2016
11:25
Rio de Janeiro (RJ)

A brasileira Poliana Okimoto, de 33 anos, conquistou uma medalha histórica para o Brasil na maratona aquática, de forma inusitada. Ela perdeu fôlego na reta final da prova de 10km dos Jogos Olímpicos Rio-2016, disputada em Copacabana, e terminou na quarta colocação, em 1h56m51s4, mas viu a francesa Aurelie Muller ser desclassificada por uma falta grave. Com isso, assegurou um lugar no pódio, o primeiro do país na modalidade.

- Construí essa medalha a cada dia. Poucas pessoas conseguem acompanhar meus treinos, porque são um pouco mais fechados. Não acontecem em equipe. Mas elas sabem o quanto eu estava em progressão, mesmo com 33 anos. Eu merecia. Lutei muito para estar aqui. Melhorei tudo. Vim curtir cada momento - disse Poliana, que se manteve entre as primeiras colocadas durante toda a disputa, e chegou perto da prata.


A infração aconteceu porque a então vice-campeã se apoiou na italiana Rachele Bruni, no fim da disputa, em uma tentativa de pará-la. Sem saber do ocorrido, Poliana chegou a chorar ao sair do mar, enquanto ia ao encontro do técnico e marido Ricardo Cintra. Mas logo ouviu de atletas que havia a possibilidade de uma reviravolta. Aconteceu. Uma equipe da Globo deu a notícia à nadadora.

Já Ana Marcela Cunha, que era considerada favorita ao ouro, amargou o 10º lugar (1h57m29s0) e deixou o local aos prantos, sem passar pelas entrevistas.

- Foram oito anos lutando para ir bem em casa. Entrei como uma das favoritas. Não foi um resultado digno de uma três vezes campeã de uma Copa do Mundo, não sei quantas vezes pódio em Mundial - lamentou Ana Marcela, ao SporTV.

A holandesa Sharon Van Rouwendaal completou o percurso em 1h56m32s1 e foi a campeã. Com o episódio envolvendo a francesa, a prata terminou nas mãos da italiana Bruni (1h56m49s5).

A medalha de Poliana é a primeira de uma mulher brasileira em um esporte aquático em Olimpíadas. Em Londres-2012, ela teve uma hipotermia e teve de abandonar a disputa. Entrou em depressão durante meses até retomar o foco para os Jogos no Brasil.

Poliana também "salvou" a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) de sair da Rio-2016 sem medalhas, após os maus resultados da natação no Estádio Aquático. O polo aquático ainda tenta um pódio.

A federação francesa de natação entrou com um recurso para tentar reverter a decisão, mas o resultado da brasileira foi confirmado.

Atleta do ano em 2013 e eleita a melhor do mundo em águas abertas pela revista Swimming World no mesmo ano, Okimoto é dona de quatro medalhas em Mundiais: em Barcelona, levou o ouro nos 10km, a prata nos 5km e o bronze nos 5km por equipe; em Roma (ITA), em 2009, levou o bronze nos 5km. Faturou a prata nos Pan do Rio, em 2007, e Guadalajara (MEX), em 2011.

Até a manhã desta segunda-feira, a melhor posição do Brasil na maratona aquática em Jogos Olímpicos era o 5º lugar de Ana Marcela, em 2008.