Em evento, Pelé recebe medalha olímpica de presidente do COI

Em evento, Pelé recebe medalha olímpica de presidente do COI (Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP)

Felipe Domingues e Russel Dias
16/06/2016
16:29
Santos (SP)

Um herói. Foi essa a palavra utilizada pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, para se referir a Pelé. Nesta quinta-feira, os dois, ao lado do presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Carlos Arthur Nuzman, estiveram reunidos no Museu do "Rei", em Santos (SP), em uma cerimônia de homenagem a um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos.

Pelé, que atuou pelo Santos, o New York Cosmos e a Seleção Brasileira durante sua carreira de 30 anos, nunca participou de uma Olimpíada, porém, recebeu a comenda da Ordem Olímpica do COI, maior honraria entregue aos esportistas, por sua contribuição ao desporto. Entre os brasileiros, apenas a ex-nadadora Maria Lenk e o ex-atleta Adhemar Ferreira da Silva possuem a medalha.

- A ordem olímpica é a mais alta entregue a indivíduos que serviram a causa olímpica por meio do desenvolvimento do esporte ao redor do mundo. Por ser nosso mais alto prêmio, você pode imaginar que qualquer decisão sobre ela é considerada cuidadosamente. Então, no caso do Pelé, esses detalhes de discussão, nos tomaram muitos, muitos... segundos - brincou Bach.

Segundo o mandatário da principal entidade olímpica do mundo, Pelé foi um de seus heróis no esporte. O alemão, inclusive, jogou futebol quando mais novo, mas brincou que, por ter apenas uma perna boa, não teve uma carreira muito longa.

Em evento, Pelé recebe medalha olímpica de presidente do COI
Em evento, Pelé recebe medalha olímpica de presidente do COI (Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP)

- Eu não era um jogador ruim, mas só tinha o pé esquerdo bom. Isso levou à minha decisão de seguir para a esgrima. Hoje é o primeiro dia que eu não me arrependo disso, porque se eu tivesse dois pés bons, talvez eu tivesse virado um jogador profissional e não me tornaria presidente do COI. E se eu não fosse o presidente, teria perdido a chance de entregar a ordem olímpica a um dos meus heróis - disse Bach.


De acordo com o brasileiro, as autoridades do COI tentaram por duas vezes entregar a honraria para Pelé, mas ele estava em Londres (ING) e nos Estados Unidos, por conta de eventos oficiais. Assim, o mineiro pediu que a medalha fosse entregue em Santos, local que o projetou para o mundo.

- Quando meu assistente ficou sabendo da homenagem, estávamos na Inglaterra. Eles queriam fazer essa homenagem lá. Depois, eu estava nos EUA, e queriam lá. Então, falamos para o Nuzman: "Eu sei que vai ser difícil deslocar o pessoal do COI para cá, mas queria receber essa homenagem em Santos, porque foi de lá que sai para o mundo" - comentou Pelé.

Em evento, Pelé recebe medalha olímpica de presidente do COI
Em evento, Pelé recebe medalha olímpica de presidente do COI (Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP)

Bach brinca com os 7 a 1 da Alemanha no Brasil

Um dos momentos mais curiosos do pronunciamento de Thomas Bach foi uma "brincadeira" feita pelo mandatário do Comitê Olímpico Internacional sobre os 7 a 1 aplicados pela Alemanha no Brasil na semifinal da Copa do Mundo de 2014.

Ao lado de Pelé, a quem considera um de seus maiores heróis no esporte, o alemão relembrou momentos da carreira do jogador brasileiro, sem esquecer de "cutucar" o Rei.

- Quando o Pelé estava em seu primor, o Brasil tinha o melhor time do mundo. Naquela época, eles até conseguiam vencer a Alemanha com facilidade (risos) - brincou Bach, antes de completar:

- Mas nunca pudemos culpá-lo por essas derrotas pelo modo elegante como ele e os brasileiros jogavam. Era uma alegria assistir.