Tocha Londrina

Repórter do L! recebeu chama olímpica do presidente da CBC, José Luiz Vasconcellos, em Londrina (Foto: Divulgação)

Jonas Moura
29/06/2016
20:12
Londrina (PR)

Como um dos 12 mil condutores da tocha olímpica da Rio-2016, e um dos 65 encarregados de carregar a relíquia pelas ruas de Londrina (PR), pude comprovar, na última terça-feira, que as palavras de Galvão Bueno não são mera formalidade, proferidas da boca para fora.

– Apesar de ter transmitido horas de esporte em toda a minha carreira, este é um momento único – disse o narrador, que acendeu a pira ao final do dia.

De fato, é único. Não importam a quantidade de matérias que fiz, o tanto de histórias que já ouvi e contei e o tanto de pesquisas que realizei. Ou mesmo a quantidade de relatos que li ou escutei de quem viveu a mesma experiência.

Mas por que único? Minha resposta é que, em um país com mais de 200 milhões de habitantes, o revezamento da chama olímpica tem o mérito de comover e, ao mesmo tempo, expor a complexidade do que é o Brasil. 

Mergulhados nas redes sociais, que tanto facilitam nossas vidas, acredito que às vezes ficamos alheios às diversas realidades de nosso país. Ele é muito grande e complexo. É difícil conhecê-lo em sua real dimensão. Vejo um evento desta grandeza como uma chance única para aproximarmos tanta diversidade.

Ela começa na lista dos condutores. Teve gari maratonista, teve professor com trabalho ligado à educação física e, portanto, difusor dos valores olímpicos, teve atleta consagrado mundialmente, como Giba e Natália Falavigna, ou esportista reconhecido por seus feitos na cidade. Vi empresários e dirigentes bem vestidos compartilharem o mesmo clima de expectativa com trabalhadores simples, alguns com um salário mínimo de renda por mês. Foi neste clima que recebi a chama do presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), José Luiz Vasconcellos, e o repassei para Falavigna, bronze em Pequim-2008 no taekwondo. 

Enquanto corria meus 200m, vi a típica mistura de 'oba-oba', curiosidade, euforia e críticas de grandes eventos. Gente de todas as idades e das mais diversas opiniões marcou presença. Famílias fizeram daquilo a diversão do dia. 

Houve mensagens de "Fora, Temer" e "Volta, Dilma". Ouvi gritos de "Vai, Corinthians" e protestos contra os custos com a realização do evento na cidade. Alguns ficaram insatisfeitos com os atrasos nas linhas de ônibus, devido ao fechamento do trânsito. Teve quem sorrisse com a chance de presenciar algo histórico. Outros ignoraram a tocha, como se fosse um dia comum.

Quem estava certo? Os que festejavam, os que escancaravam os problemas do país ou os que ignoravam a festa, em um contexto econômico que em nada favorece a realização de uma edição de Jogos Olímpicos? Na minha opinião, todos! A diversidade estava ali, e isso é era o mais importante.

Que assim seja em agosto e setembro.