Eduardo Paes e Thomas Bach na entrega a Vila dos Atletas ao Comitê Rio-2016 (Foto: Beth Santos)

Eduardo Paes e Thomas Bach na entrega a Vila dos Atletas ao Comitê Rio-2016 (Foto: Beth Santos)

Jonas Moura
16/06/2016
10:00
Rio de Janeiro (RJ)

Em ano de dificuldades financeiras para o país, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, tem atuado de forma cada vez mais intensa nos bastidores como uma espécie de "mediador" entre entes públicos e privados na tentativa de solucionar os percalços da preparação do Brasil para entregar os Jogos Olímpicos, que começam daqui a 50 dias com a cerimônia de abertura.

Embora a influência do político seja antiga, suas atitudes ultrapassam cada vez mais as obrigações de gestor da cidade-sede à medida que o megaevento se aproxima. Nesta semana, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, visitou o Rio de Janeiro e se reuniu com o presidente interino Michel Temer pela primeira vez. Paes ditou alguns rumos das conversas.

Como a organização dos Jogos passou por mudanças significativas na esfera federal após a saída de Dilma Rousseff, afastada pelo Senado por até 180 dias, e com a ascensão de Temer, o papel do prefeito se tornou ainda mais relevante na mesa de reuniões. Dentre os envolvidos na realização dos Jogos, ele é visto como um dos atores públicos com maior conhecimento sobre o tema. 

– Daqui a pouco, chegará a hora que nós, políticos, administradores e gestores, sairemos de cena, graças a Deus. Se houver problemas, certamente irão nos chamar, mas espero que nos próximos 50 dias só tenhamos atletas e eventos aparecendo, e fatos bons acontecendo – disse o prefeito na última quarta-feira, durante a entrega da Vila dos Atletas ao Comitê Rio-2016.

No mesmo dia da inauguração, o jornal "O Globo" revelou um pedido de aporte de Paes a Temer para que as finanças do município e do Comitê não sejam estourados. A entidade, que fechou seu orçamento em R$ 7,4 bilhões, não recebe dinheiro público de maneira direta. Portanto, não fez qualquer solicitação ao presidente no sentido de auxiliar financeiramente o evento.

"Daqui a pouco, chegará a hora que nós, políticos, administradores e gestores, sairemos de cena. Se houver problemas, certamente irão nos chamar, mas espero que nos próximos 50 dias só tenhamos atletas e eventos, e fatos bons acontecendo" - Eduardo Paes

A pedido de Paes, que em tese não se preocuparia com assuntos do Comitê, a ajuda será feita indiretamente, como no caso do pagamento das cerimônias de abertura e encerramento. Na terça-feira, Temer já havia dado garantias de que contribuirá com o que for necessário, em visita ao Parque Olímpico.

No âmbito municipal, o Rio de Janeiro tem ao menos sete obras em situação de alerta. O velódromo é a arena mais atrasada, com 89% e conclusão. O evento-teste de ciclismo de pista já foi cancelado, e o local não receberá nenhuma competição oficial antes dos Jogos. Das novas instalações, também não foram finalizados o Centro de Tênis (93% ponto) e o hotel (98%).

Também há pendências em locais que já existiam antes da escolha do Rio como sede. O Maracanãzinho, palco do vôlei, está fechado para reformas no teto, custeadas pelo Comitê. O Parque Aquático Maria Lenk, sede do nado sincronizado e dos saltos ornamentais, deveria ter sido entregue em fevereiro deste ano, mas ainda passa por uma operação de reforço no sistema elétrico, tema que gera preocupação em todo o Parque Olímpico.

No Complexo Esportivo de Deodoro, o Centro Nacional de Tiro Esportivo e o Centro de Hipismo também seguem em obras. No caso do primeiro, está em curso uma investigação da Polícia Federal para apurar fraudes que podem ter causado prejuízos de R$ 85 milhões aos cofres públicos, de acordo com os órgãos de controle.

Nas proximidades do Parque Olímpico, que receberá 19 modalidades olímpicas, as obras da via expressa BRT Transolímpica, que ligará o Recreio dos Bandeirantes a Deodoro, passando pela Barra, ainda causam transtorno aos motoristas nas proximidades. Ela deverá ser inaugurada no final de junho.

Já a linha 4 do metrô, de responsabilidade do governo estadual e uma das promessas da candidatura do Rio, aguarda a liberação de um repasse de R$ 989 milhões do governo para finalizar o trecho olímpico (o serviço terá limitações, e nem todas as estações serão concluídas para os Jogos). Temer já se reuniu com o governador Francisco Dornelles para solucionar o problema.

Nesta quinta-feira, Thomas Bach cumpre o último dia da agenda no Brasil. Ele visitará o Museu Pelé, em Santos. Membros da entidade retornarão ao Rio de Janeiro em julho para nova visita de inspeção, com foco no velódromo.