Protesto Vila Autódromo

Movimentos de resistência às demolições na Vila Autódromo fizeram protesto em frente ao Palácio da Cidade, na Zona Sul do Rio (Foto: Reprodução)

Jonas Moura
08/03/2016
21:51
Rio de Janeiro (RJ)

Em meio a demolições que já removeram cerca de 800 famílias da Vila Autódromo, bairro localizado ao lado do Parque Olímpico dos Jogos Rio-2016, na Barra da Tijuca, o prefeito Eduardo Paes anunciou nesta terça-feira um plano de urbanização do local.

O projeto, ainda sem data para ser executado, prevê a construção de 32 casas, o asfaltamento de uma via e a construção de duas escolas. O custo total do empreendimento deve girar em torno de R$ 3 milhões.

Paes acredita que os trabalhos ficarão prontos até a data de início dos Jogos Olímpicos, em 5 e agosto. Atualmente, restam cerca de 25 famílias na Vila. Antes das obras para o megaevento, o número era de 824.  

A prefeitura diz que as remoções eram necessárias porque as casas prejudicavam o alargamento das avenidas que darão acesso ao Parque Olímpico, ou por questões ambientais. Os moradores receberam propostas de mudar para um condomínio na região ou receber indenizações.

No mesmo dia em que o prefeito fez o anúncio, a casa da moradora Maria da Penha Macedo, de 50 anos, foi demolida, por ordem judicial. Ela ficou conhecida como uma das lideranças do movimento de resistência às demolições.

O fato despertou protestos de movimentos contrários à transformação do bairro. Grupos acompanharam Maria ao Palácio da Cidade, na Zona Sul, e estenderam cartazes pedindo um "Rio sem remoções". 

– Na sexta-feira, ele havia nos dito que iria urbanizar a comunidade, e que eu poderia ficar, mas queria sigilo. Eu estou em uma pressão há mais de um mês sem saber se derrubam ou não derrubam. Ele queria que assinássemos um acordo no sábado. Não fui. O termo não era bom para nós – disse Penha.

O prefeito afirmou que os moradores poderão retornar à Vila Autódromo após os trabalhos de urbanização.