Treino da seleção Brasileira de Baskete

Antônio Carlos Barbosa tenta "remediar" situação complicada da Seleção feminina (Foto: Divulgação/CBB)

Felipe Domingues
06/01/2016
19:13
São Paulo (SP)

Com cinquenta anos no basquete, Antônio Carlos Barbosa está surpreso. O treinador da Seleção feminina falou com a imprensa no primeiro dia de treinos da equipe convocada para defender o Brasil no evento-teste para a Olimpíada do Rio de Janeiro, entre 15 e 17 de janeiro, e se disse surpreso com a situação que a modalidade vive atualmente no país.

Do elenco original, convocado ainda pelo antigo técnico Luiz Antônio Zanon, sete atletas pediram dispensa alegando problemas pessoais, mas motivadas pela crise entre clubes e Confederação Brasileira (CBB), na qual os seis times que disputam a Liga Nacional pedem o controle do selecionado nacional, negando a liberação de jogadoras em convocações.

- Realmente, na história do basquete feminino, nunca vi uma situação como essa. E em um momento de profissionalismo. Antigamente era coração. Hoje não. Hoje, muito mais, é de se estranhar uma situação dessa. Conseguiram a medalha de ouro de ineditismo - disse o treinador, antes da primeira sessão de treinos, no clube Sírio, em São Paulo.

Apenas uma jogadora não pediu para ficar fora do evento no Rio de Janeiro. A pivô Clarissa, que defende o Corinthians/Americana, principal atuante no Colegiado de Clubes da LBF, se apresentou normalmente e treinou com o time.

'Se cinco times nos fecham a porta para convocações, você fica em uma situação apertada. Se era esse o objetivo deles, em parte alcançaram' - Barbosa

Para Barbosa, que tem à sua disposição 11 atletas, ainda falta uma para compor o elenco, que deve ser anunciada ainda nesta quinta-feira. Entre as que não iniciaram o trabalho com a Seleção, o treinador garante que não haverá nenhum tipo de retaliação futura.

- A Clarissa acabou não aderindo a isso (reinvindicações dos clubes), mostrando uma personalidade elogiável e está aqui. Não me interessou o porquê (de a atleta se apresentar). Mais que o porquê a resposta é a presença dela. Acho que ela não concordou com uma radicalização na proporção que foi tomada e aceitou a convocação - comentou, antes de completar sobre o futuro das jogadoras "dissidentes" e ausentes nos treinamentos:

- Eu gosto de deixar claro que temos de separar. Estão colocando uma conjunção aditiva, o "e", que não cabe. Não são clubes "e" jogadoras. São os clubes. Elas são consequência dos clubes, porque estão sendo obrigadas a não aceitar a convocação. Todas queriam estar aqui, algumas deixaram isso muito claro. Algumas, de personalidade mais retraída, ficaram de boca fechada. Não há porque ter algum motivo de retaliação.

'Se eu queria usar o evento para entrosar o time, agora vou usá-lo para observar atletas e, claro, buscar a vitória. Vamos ter boas apresentações, porque a responsabilidade é grande' - Barbosa

O treinador afirmou que há possibilidade de fazer um bom papel no evento-teste do Rio de Janeiro, no qual o Brasil encara a Argentina, Venezuela e Austrália, mas que o foco não será o título.

- Acho que dá para fazer um bom papel. Temos uma base pequena, um grupo restrito, mas de qualidade. Acho que essas últimas classificações não estavam de acordo com o nível do nosso basquete. O resultado pouco importa. Como o próprio nome diz, é um evento-teste. O brasileiro é extremamente competitivo, quer sempre ser campeão. Isso às vezes desgasta a equipe para uma competição posterior mais importante - disse.

Por fim, Barbosa aproveitou para "lembrar" seu passado na Seleção, e se mostrou aberto a um diálogo com o Colegiado de Clubes da LBF. Para ele, o problema de dirigentes e técnicos não é com seu trabalho.

- Eu não tenho problema nenhum com ninguém. Estou nessa estrada há 50 anos. Antes de todo mundo que está aí pensar em basquete eu já era técnico. Com 26 anos eu era assistente técnico e campeão Pan-Americano em 1971. Temos apenas posições divergentes. Se tiver de conversar, não tenho dificuldade nenhuma - completou.