Luiz Fernando Gomes
22/08/2016
23:12
Rio de Janeiro (RJ)

Ao se despedir dos jogos do Rio, Usain Bolt postou em português em sua rede social: “Rio, eu tenho amor infinito para você”.

A expressão do jamaicano não foi única. O Rio definitivamente conquistou o coração e as mentes de atletas, delegações e turistas. Mais do que isso, dobrou a desconfiança da mídia internacional. Encerrada a Olimpíada, a maior parte das publicações na Europa e nos Estados Unidos foi bastante positiva em sua avaliação do evento, ressaltando a organização, o clima harmonioso e o caráter de união nacional que os jogos do Rio assumiram em seus 17 dias de competições.

O espanhol "El Pais" foi contundente em seus elogios: “Os Jogos Olímpicos, questionados até o último momento pelo vírus da zika, o terrorismo e o transporte, foram um êxito”. Já o "Le Monde", principal diário da França, destacou a capacidade do Brasil de organizar e sediar um evento grandioso mesmo em meio a sérios problemas políticos e econômicos. “Pagina virada para o Brasil”, decreta o jornal francês.

Quem partiu, como Bolt, partiu com gosto de quero mais. Michael Phelps, o outro supercampeão desta Olimpíada, diz já estar com saudades da beleza do Rio e da afabilidade do carioca. Uma sensação acompanhada pelo "The Whashington Post," cujos correspondentes Joshua Partlow e Dom Phillips destacaram que o sucesso dos jogos foi motivo de orgulho nacional, unindo o país mesmo em um momento de dificuldades.

Já o também americano "The New York Times", mesmo com críticas à imensa desigualdade social do pais, reconhece que o legado urbano da Olimpíada mudou a face do Rio, embora considere que os mais ricos terão os maiores benefícios pelo que vai ficar após os jogos.

Mas Rebecca Ruiz, também do “Times”, resumiu o evento: “Eu os acho (os brasileiros) fascinantes. Preparando-se para este evento — 17 dias que foram planejados em sete anos — é uma tal produção. E as relações e tensões e a política em jogo são complicadas. Nuzman enfrentou questões difíceis das autoridades olímpicas nos dias que antecederam os Jogos. Ele foi cobrado sobre a qualidade da água, do trânsito e da falta de sinagogas. Meses antes da Olimpíada, viajou a Lausanne, na Suíça, sede do Comitê Olímpico, para dar garantias de que o vírus zika não afetaria os Jogos.”

Nem tudo foi unanimidade. Houve crítica aos acontecimentos policiais, aos lugares vazios na maior parte das arenas. Mas o saldo, indubitavelmente, é favorável ao Brasil.