Bernardo Cruz e Igor Siqueira
18/08/2016
20:27
Rio de Janeiro (RJ)

O relógio ainda não tinha dado 15h quando a buzina tocou. Era o aviso de que os barcos da classe 49er FX estavam entrando na água. Foi neste momento que Martine Grael e Kahena Kunze deram um abraço. O último antes de irem a caminho da história. A última jornada da rota rumo ao ouro estava começando. 

- Desde a gente entrou na água nos abraçamos e falamos que independente das nossas decisões na prova, iríamos com tudo, não pensar nas nossas rivais e tentar fazer o melhor possível. No final deu super certo, fizemos uma proposta diferente em relação as neozelandesas e somou muito. Passamos no último contravento. E quando chegamos nem conseguia nadar, meu coração estava batendo muito forte - contou Kahena, já com a medalha no peito.

A estratégia diferente foi usar o lado esquerdo da raia quando as líderes da regata, incluindo as rivais, foram para o lado direito. 

- Estávamos assistindo todas as regatas que aconteceram antes e com informações das outras regatas. Tivemos também informações dos outros dias. Estava bem aberto. Na quarta perna montamos a boia indo para esquerda e a galera indo para a direita. Foi bom que as dinamarquesas vieram atrás da gente, estávamos marcando elas, era um adversária a menos. Veio a rajada e conseguimos aproximar. No último contra-vento viemos com tudo para a esquerda. Vimos que ia ser bom - comentou Martine, que sacramentou:

- Foi a melhor regata da minha vida.

Kahena lembrou das vitórias anteriores. Citou a dificuldade que foi a conquista do título mundial em 2014 e, no mesmo ano, a vitória no evento-teste nas mesmas águas da Guanabara.

- A gente ainda vai dar um ataque cardíaco em alguém - disse ela, brincando.

Martine e Kahena venceram e foram para os braços da galera, literalmente. Foram carregadas pelos torcedores ainda estando dentro do barco. Depois, com a medalha no peito, também foram erguidas e colocadas no pescoço de outros dois. Êxtase total, em um dia inesquecível.

- Eu só tenho a agradecer pela quantidade de pessoas que veio torcer. Parecia um Maracanã fazendo ola - citou Martine.

- É indescritível esse momento. Ganhar essa medalha com muita gente gritando seu nome, amigos, familiares e voluntários que fizeram esse momento maravilhoso, não tem preço. Se minha primeira Olimpíada já foi assim, imagina a segunda - emendou Kahena, já fazendo prognóstico para Tóquio,