Brasileiro Bruno Bittencourt controla a bola diante do britânico Mark Gleghorne

Brasileiro Bruno Bittencourt controla a bola diante do britânico Mark Gleghorne (Foto: MANAN VATSYAYANA / AFP)

Marcelo Laguna
10/08/2016
07:00
Enviado especial ao Rio de Janeiro (RJ)

Três jogos, três derrotas, apenas um gol a favor e 28 contra. A Seleção Brasileira masculina de hóquei sobre grama ostenta a pior campanha entre as 12 que estão participando do torneio olímpico na Rio-2016. Mas mesmo na condição de mero figurante e equipe que deverá decidir a sorte dos classificados no Grupo A, especialmente por causa do saldo de gols, os integrantes da equipe brasileira enxergam uma evolução nesta estreia do país em Olimpíadas.

- O saldo de nossa participação tem sido bem positivo no meu modo de ver. Por ser a primeira vez que estamos nas Olimpíadas, entrando nesse nível elevado de hóquei, que não era o nível do Brasil, ganhando uma visibilidade enorme para a modalidade e contando com uma torcida que nos apoiou o tempo inteiro - avaliou o técnico da Seleção, Claudio Rocha, após a terceira goleada consecutiva de sua equipe, um 9 a 1 para a Grã-Bretanha, nesta terça-feira à noite. Nesta quarta-feira, às 19h30, a equipe enfrentará a Nova Zelândia.

Talvez a visão mais otimista de Rocha tenha sido influenciada por um bom começo de partida do Brasil diante dos britânicos. De forma surpreendente, após conseguir um "short corner", punição em que todos os jogadores da equipe penalizada precisam ficar na linha do gol enquanto aguarda o ataque do outro time,  a Seleção abriu o marcador através de Stephane Smith, brasileiro que nasceu em Recife mas foi adotado por um casal de pai inglês e mãe francesa. Ele atua no Holcombe, da Inglaterra. 

O bom início ficou por aí. O que se viu na sequência foi a repetição de falhas apresentadas pela Seleção em jogos anteriores. Com paciência e técnica superior, os britânicos foram fazendo gol atrás de gol, embora a goleada não tenha acabado com o astral da torcida que compareceu em bom número ao Estádio de Deodoro.

Para Rocha, talvez o principal legado que essa campanha do Brasil nos Jogos do Rio pode ser o de fazer com que o hóquei sobre grama passe a ser mais conhecido no país.

- Está sendo muito positivo para este grupo, que se esforçou muito e deu o seu melhor e vai ajudar também a aproximar a modalidade do público em geral. Tem muita coisa parecida com o futebol, o número de jogadores em campo, posicionamento, são coisas que podem facilitar que a modalidade caia no gosto do brasileiro. Nosso time ainda é novo, não conseguimos fazer uma rotação que essas equipes mais experientes conseguem. Vamos procurar uma meta para ver onde podemos chegar.

Para o inglês naturalizado Chris McPherson, defensor que desde 2009 mora no Brasil, talvez o maior benefício desta participação brasileira seja o que poderá deixar para o futuro. 

- Incrível ver um estádio como esse aqui para o hóquei, ver tantas pessoas assistindo o nosso esporte, talvez acabe motivando as pessoas a jogarem também. Jamais tinha jogado para tanta gente aqui antes, tem sido uma festa sensacional a cada partida - afirmou.