Nicolas Oliveira durante o Maria Lenk (Foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Nicolas Oliveira durante o Maria Lenk. Ele aprovou a brincadeira em grupo com animais (Foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Jonas Moura
13/07/2016
18:01
Rio de Janeiro (RJ)

A natação brasileira andou inovando na preparação para os Jogos Olímpicos Rio-2016. Um trabalho de terapia em grupo com a participação de cavalos foi uma das formas encontradas para aproximar os atletas do revezamento e promover o equilíbrio mental desejado durante a estadia na capital fluminense, em agosto. 

A ideia partiu de Markus Rogan, nadador austríaco e psicólogo de Thiago Pereira (classificado nos 200m medley). Contratado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), ele é um dos profissionais envolvidos no planejamento da entidade, em parceria com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), para os Jogos do Rio.

Durante um camping da Seleção em Los Angeles (EUA), há cerca de um mês, Rogan apresentou os brasileiros dos revezamentos à brincadeira, até então inédita. Cada atleta teria de escolher um cavalo e guiá-lo, puxando-o, de modo a cumprir um percurso em uma arena e chegar ao alvo determinado. Simples? Nem tanto. Se o "condutor" não mostrasse confiança, o bicho parava.

– Para mim, foi a melhor atividade em grupo de psicologia que já fiz na vida. O cavalo reage muito ao medo, à postura com a qual você se impõe. Fizemos até uma prova de revezamento com os animais, e foi muito interessante ver como a fraqueza de cada atleta se mostrou no percurso. Deu para nos conhecermos melhor – avaliou Nicolas Oliveira, classificado para a Olimpíada nos 100m livre, 200m livre e nos revezamentos 4x100m livre e 4x200m livre.


O mineiro de 28 anos contou que tem assumido papel de liderança na equipe desde a confirmação da ausência de Cesar Cielo, atual recordista mundial nos 50m livre e ouro em Pequim (CHN)-2008 na prova, nos Jogos do Rio. Mas mesmo com duas Olimpíada no currículo, ele se surpreendeu com os efeitos que a atividade proporcionou ao grupo. 

– Os cavalos conseguem ter um sexto sentido. Não adianta você aparentar estar tranquilo, pois se estiver com medo por dentro, o animal realmente empaca. Nós achávamos que poderíamos fingir que estava tudo bem e puxar o cavalo, que ele iria andar. Mas não foi assim. Tivemos de ter foco. Se desviássemos a atenção, perdíamos a sintonia com o cavalo – afirmou Nicolas.

Entre 24 de julho e 2 de agosto, a Seleção Brasileira fará aclimatação no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. A CBDA considerou o local adequado para desenvolver a adaptação dos nadadores aos horários dos Jogos. Haverá finais às 22h. Eles farão, inclusive, um trabalho chamado clínica do sono, que inclui exposição à luz do dia quando já estiver escuro e uso de óculos especiais.

Alguns atletas só chegarão à Vila Olímpica dois dias antes de competirem, já que suas provas acontecem na reta final da natação, como Ítalo Manzine (50m livre), Henrique Martins (100m borboleta e 4x100 medley) e Graciele Herrmann (50m livre). Maior aposta nos 50m livre, Bruno Fratus só compete nos dias 11 e 12 de agosto, mas optou por chegar antes.

Além de Nicolas, o revezamento 4x100m do Brasil contará com os titulares Marcelo Chierighini, João de Lucca e Matheus Santana. No Mundial de Esportes Aquáticos de Kazan (RUS), em 2015, o time ficou em quarto lugar. A prova é apontada como uma das esperanças de medalha do país na Olimpíada.