Ítalo Manzine

Ítalo Manzine ficou famoso por bater Cesar Cielo no Troféu Maria Lenk (Foto: Bruno Lorenzo)

Jonas Moura
22/04/2016
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

Quem repreenderia por comer uma sobremesa o nadador que deixou Cesar Cielo fora dos Jogos Olímpicos Rio-2016? Após viver quatro meses de privações e de chamar a atenção do mundo com a classificação para o evento pela primeira vez na carreira, Ítalo Manzine, de 24 anos, se permitiu desviar da dieta rigorosa a que vem se submetendo. Pelo menos por um dia.

O mineiro de Belo Horizonte garantiu vaga nos 50m livre ao nadar para 21s89 no Troféu Maria Lenk, no Rio de Janeiro. Ele fez o sexto melhor tempo do ano, atrás apenas de Florent Manaudou (21s42), Cameron McEvoy (21s44), Benjamin Proud (21s65), Nathan Adrian (21s69) e Bruno Fratus (21s74).

– Comi um petit gâteau. Não comia doce desde o Natal. Quando tinha aniversário das amigas da minha namorada, eu dizia que não iria. Se fosse, ficaria olhando todos comerem e não resistiria. Preferi me privar mesmo – disse o atleta.

"Espero que aumente o apoio, mas sei que não será nada exorbitante. A natação não tem a visibilidade de um futebol, do basquete e do vôlei, que aparecem semanalmente na mídia. Vivemos uma crise e será muito difícil após os Jogos" - Ítalo Manzine

Ítalo defende o Minas, clube onde teve a oportunidade de conhecer e reverenciar de perto o maior nadador brasileiro de todos os tempos. A convivência foi valiosa, tanto que, enquanto Cielo perdeu o rumo de sua carreira, Manzine entrou em uma ascensão constante.

O papel de esperança da natação é novo, e o suporte, limitado. Ele aponta os pais, William e Silvana, como os maiores incentivadores de sua carreira, tanto na torcida acalorada como no apoio financeiro.

O Minas arca com alguns custos da rotina do nadador, mas ele não tem patrocínio. Os gastos com trajes modernos foram assumidos pela Hammerhead, do ex-nadador Fernando Scherer, o que ajudou em sua preparação no ano passado.

– Todo mundo aqui quer voltar com uma medalha, principalmente dourada. O sonho de quem se classifica não é simplesmente ir para a Olimpíada e acabou. Não será diferente comigo. Foi assim com o Cesar, em 2008, e hoje eu trabalho muito para buscar isso – declarou o atleta.

A relação de Ítalo com a família é forte, tanto que ele tem uma preferência de sobrenome. Embora muitos ainda o conheçam por Duarte, quer ser conhecido como Manzine, que pertencia ao bisavô e lhe foi dado pelo pai como uma lembrança do parente mais distante.

– Meu pai era apaixonado pelo meu bisavó e fez essa homenagem. Acho muito bacana. Tenho um orgulho grande da história de todos e quero levar isso como uma marca na minha carreira – contou Ítalo.

BATE-BOLA
Ítalo Manzine Nadador, ao LANCE!

‘Não espero aumento exorbitante de incentivo após a classificação’

Você teve o Cielo como ídolo. Os erros dele te servem de lição?
O Cesar nadou bem. Não foi o tempo que ele queria, mas eu também não fiz o que esperava. Minha meta era nadar um pouco mais abaixo, para 21s70. Bati na trave. Tenho certeza de que ele deu o seu melhor. Foi um aprendizado. Eu aprendo olhando para ele. Ao longo da minha carreira, sei que também cometerei erros.

Acha que o Brasil aproveitou bem a chance de sediar os Jogos?
Tudo foi muito corrido. Acho que, ao sabermos que sediaríamos os Jogos, deveríamos ter feito um planejamento melhor, para não ficarmos na correria. Aprendemos desde a escola a não deixar o dever de casa para a última hora. Mas é algo da nossa cultura.

Acha que sua conquista da vaga olímpica irá te trazer mais apoio?
Espero que aumente, mas sei que não será nada exorbitante. A natação não tem a visibilidade de um futebol, do basquete e do vôlei, que aparecem semanalmente na mídia. Vivemos uma crise e será muito difícil após os Jogos.