Guilherme Cardoso e Marcelo Laguna
22/08/2016
16:50
Rio de Janeiro (RJ)

Fora do top 10, mas com resultados a serem destacados. Foi dessa maneira que o Comitê Olímpico do Brasil (COB) analisou o desempenho da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, encerrados no último domingo (21). Na 12ª colocação geral no quadro de medalhas pelo número total, o Brasil chegou a 19 pódios, três a menos que o Canadá, o décimo colocado, com 22.

- Temos a sensação de dever cumprido, em uma Olimpíada que teve como características a diversificação de resultados por continentes e países. Muitos países ganharam medalhas pela primeira vez – afirmou o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, nesta segunda-feira, em entrevista coletiva no Espaço Time Brasil, em um shopping no Rio de Janeiro.

Os dirigentes do comitê fizeram questão de enaltecer os resultados do Time Brasil na Olimpíada da capital carioca. O COB enfatizou o fato de o Brasil ter conseguido medalhas em 12 modalidades, um resultado superior ao dos  Jogos anteriores: nove em Londres-2012 e oito em Pequim-2008. Além disso, eles apontaram que os brasileiros estiveram em 71 disputas de medalha contra 36 na competição da capital inglesa.

- A Espanha ficou em 16º no total de medalhas e eles também organizaram uma Olimpíada. Nós estamos à frente. Os objetivos não são meramente numéricos e sim olhando de forma geral. É preciso abranger o que vai ficar de legado. O reconhecimento do trabalho do Time Brasil é um dado gigante, é favorável. Não é apenas um número, tem que ver um contexto de finais – destacou Nuzman.

Para atingir o top 10 no quadro de medalhas, o Comitê Olímpico do Brasil tinha como previsão conquistar 23 láureas. Inicialmente, o número se baseava entre 27 e 30, mas a projeção foi alterado com a proximidade do evento. Os números foram calculados com base nos resultados obtidos pelos décimos colocados nas edições anteriores dos Jogos.

- Desde o início, falamos que era uma meta ousada, mas factível, tanto que ficamos três abaixo da meta do top 10. A diferença com outros países é que eles já fazem estes investimentos que recebemos este ano. Precisamos de mais alguns quadriênios com este tipo de financiamento e planejamento para continuarmos crescendo. Os números de quartos e quintos lugares não nos levarão a ser uma potência olímpica – declarou o diretor executivo de esportes do COB, Marcus Vinícius Freire.

Agora, para o próximo ciclo olímpico, de olho em Tóquio-2020, os dirigentes acreditam ser muito cedo para estabelecer uma meta. A ideia é reavaliar os resultados, sentar com as confederações nacionais, para assim passar a fazer um novo planejamento. Mesmo assim, modalidades que antes eram cotadas como possíveis ganhadoras de medalhas podem ser “rebaixadas”, assim como alguns esportes podem ganhar mais destaque.

Uma das preocupações para os próximos anos é com relação ao investimento esportivo. As verbas do governo federal, por meio do Bolsa Atleta, Bolsa Pódio, Plano Brasil Medalhas, entre outras, ainda não estão garantidas para o futuro.