LANCE!
16/08/2016
01:31
São Paulo

Renaud Lavillenie é o detentor do recorde mundial do salto com vara, com 6.16 m. De tão bom que é, se dá ao luxo de entrar na prova mais tarde, quando boa parte dos finalistas já está eliminada. A noite de segunda-feira deveria ser tranquila para ele, que tentava defender o título olímpico de Londres-2012 sem ter nenhum adversário com marcas próximas às suas na carreira.

Mas o esporte é feito de milagres. De zebras. De surpresas. De momentos que surgem de maneira inesperada. E que acabam eternizados.

Quando Lavillenie pediu para que a vara fosse à 6,08 m, marca que nenhum de seus rivais saltou na vida, ele não estava tentando dar show. Não estava tentando simplesmente abrir vantagem, ou já celebrar o ouro. Estava tentando se manter vivo. Sob fortíssimas vaias do público presente no estádio carioca. Reclamou. Fez gestos negativos para a torcida. Sentiu a pressão. E errou.

Thiago Braz, brasileiro de 22 anos, cujo melhor salto na vida, até domingo, era de 5, 93, pulou em felicidade, sorrindo. Minutos antes, havia saltado 6,03 m. Sim, melhorou sua marca pessoal em 10 centímetros em uma final olímpica. Batendo o recorde olímpico. Se tornando campeão da Olimpíadas disputada em seu país. Foi aos céus.  Ou bem perto disso, no maior salto que um brasileiro já deu.

Arthur Zanetti sabia que não era o favorito. Seu técnico avisou: medalhar não era o objetivo final.  O rival grego fez prova semi-perfeita. O ouro ficou longe. E daí?

Zanetti fez sua série nas argolas em altíssimo nível. Se não dava para bater o grego, por que não sair de sua segunda Olimpíada com uma segunda medalha? O ouro ele já tinha. A prata servia. Serviu. Zanetti é o maior ginasta da história do país. 

Poliana Okimoto não aparecia na mídia há tempos. Discreta, foi batalhando para chegar ao Rio com chances de apagar o drama de Londres-2012, quando deixou a água da maratona aquática com hipotermia.  Não era favorita. E não medalhou.

Por alguns minutos.

Após terminar em quarto lugar a prova de 10 km em Copacabana, viu a rival francesa, então prata, ser eliminada por agressão à italiana, terceira. Poliana subiu na classificação. E subiu ao pódio. Bronzeada.

Na final
Isaquias Queiroz, candidatíssimo a medalha, não poderia prever uma estreia melhor no Estádio da Lagoa. Ele se garantiu antecipadamente na final da prova do C1 1.000m da canoagem velocidade sem ao menos precisar passar pelas disputas das semifinais. Na manhã de terça, pode conseguir o sonhado prêmio.

'Peixinho' vira moda
O brasileiro João Vitor de Oliveira estava ficando para trás na prova dos 110 m com barreira. Seria eliminado. E resolveu arriscar: deu um "peixinho" sem medo de se machucar. Deu certo: ultrapassou os rivais que precisava e avançou com a quarta vaga. E viu virar moda: minutos depois, Shaunae Miller, de Bahamas, imitou o brasileiro e, ao ver que perderia a final dos 400 m, também pulou. Para o ouro.

Shaunae Miller, de Bahamas
Antonin THUILLIER / AFP

Coletivos: decepção de dia, alegria de noite
O basquete brasileiro recebeu a confirmação do destino que já esperava desde o último sábado: ganhou da Nigéria, mas viu a Espanha bater a Argentina e amargou eliminação na fase de grupos. Já o vôlei escapou: ganhou da França em 3 sets a 1 e avançou com a vaga final para as quartas - e tem clássico contra a Argentina por vir! No vôlei de praia, semis no masculino: Alison e Bruno avançaram.

Dancinha
O levantamento de peso chamou a atenção do mundo nesta segunda não por quantidades gigantescas de peso levantadas, mas sim por dança. David Katoatau, do pequeno Kiribati, fez uma dancinha a cada tentativa, sempre com sorriso no rosto. O público foi à loucura com o carismático... Quiribatiano!

David Katoata, de Kiribati
GOH Chai Hin / AFP

Susto
​Um acidente causou um grande susto nesta segunda-feira no Parque Olímpico. Uma câmera que circula pelo local caiu após o cabo se romper e feriu sete pessoas, sendo quadro delas com necessidade de remoção para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca (todas com quadros estáveis e sem risco de vida).

Tristeza
​Stefan Henze, 35 anos, técnico da equipe de canoagem da Alemanha e medalhista da modalidade em Atenas-2004, morreu nesta tarde no Rio de Janeiro. Na última sexta-feira, ele sofreu um acidente de carro na sede da Olimpíada.