Thiago Monteiro

Thiago Monteiro durante o Chile Open de tênis de mesa, em setembro (Foto: Divulgação/ITTF)

Jonas Moura
19/11/2015
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

Em quatro dias, Thiago Monteiro viveu um turbilhão de emoções. Terceiro melhor brasileiro da elite do tênis de mesa (123 no ranking), ele cogitou até permanecer na França, onde mora, e perder o Torneio Internacional, evento-teste dos Jogos Rio-2016, que começou na última quarta-feira e vai até sábado, no Pavilhão 4 do Rio Centro.

Com medo dos atentados que feriram Paris e deixaram 129 mortos na última sexta-feira, o brasileiro queria evitar locais com aglomerações, como aeroportos e estações de trem, possíveis alvos de atos terroristas. A família pediu que o atleta comunicasse a ausência à Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM). Mesmo assim, ele veio.

Dono de quatro medalhas de ouro em Jogos Pan-Americanos (2003, 2007, 2011 e 2015), o veterano de 35 anos voltava de Estocolmo (SUE) para Argentan, comuna de cerca de 15 mil habitantes e localizada a 200 quilômetros da capital, onde vive com a esposa e o filho de três anos, no dia dos ataques. Ficou a poucas estações do centro do terror. No país, que tem tradição no tênis de mesa, ele defende o Istres e sonha com a Rio-2016.

— No domingo, tive de pegar o trem para o aeroporto (de Paris, para vir ao Brasil) e não estava tranquilo. Minha família lia as notícias de que os atentados poderiam continuar e queria que eu ficasse. A segurança aumentou, mas não estou livre – disse o atleta, que mora no país desde 2001 e tem até cidadania francesa.

Após a saída de Hugo Hoyama da Seleção, em Londres (ING), em 2012, o cearense se tornou o mais velho da equipe. Hoje, os melhores colocados do Brasil são Gustavo Tsuboi (41º), de 31, e Hugo Calderano (71º), de 19. Lesionados, eles não disputam o evento-teste. O “tiozão” conta que, ao vir, levou em conta a importância do torneio para a CBTM. Mas ainda está assustado com o terrorismo.

— Parece algo fora da realidade. Foge do meu entendimento. Sei que a França faz intervenções no Oriente Médio, mas é um país que acolhe muita gente. São grandes defensores dos direitos do homem — afirmou.

O Brasil tem vagas asseguradas na Olimpíada, tanto no individual quanto por equipes, por ser sede. Calderano é o único nome já garantido, pelo ouro no Pan de Toronto (CAN). Outros disputam o pré-olímpico de Santiago (CHI), em abril.

O evento-teste reúne atletas de Brasil, Argentina, Chile e Grã-Bretanha. Como não conta pontos no ranking, os maiores nomes ficaram fora. De estrangeiros, há somente dez.

Para o Comitê Rio-2016, o torneio vale para testar a área de competição e, o sistema de resultados e o trabalho dos voluntários. Algumas das preocupações são o fluxo de ar, devido à sensibilidade da bola, e a iluminação, que pode afetar os atletas.