Ana Cláudia lemos

Ana Cláudia Lemos tem índice para os 100m e 200m rasos na Olimpíada do Rio (Foto: Wagner Carmo/CBAt)

Jonas Moura
12/04/2016
06:05
Rio de Janeiro (RJ)

A Marinha do Brasil decidiu manter o suporte financeiro a Ana Cláudia Lemos, principal velocista do Brasil, ao menos por enquanto. A atleta foi flagrada em exame antidoping no dia 8 de março por uso da substância Oxandrolona, um esteroide anabolizante.

Como terceiro-sargento, a cearense recebe em torno de R$ 3.200 por mês, férias remuneradas, 13º salário e todos os benefícios que os militares usufruem. Ela ainda pode utilizar toda a estrutura de treinamentos da Marinha à vontade.

A decisão da instituição foi esperar o desfecho do julgamento. Ana foi flagrada fora do período de competições e está suspensa preventivamente pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) desde que a contraprova solicitada por ela confirmou o uso do esteroide.

“A renovação da permanência da atleta nos quadros da Marinha é avaliada anualmente, por meio de um Conselho Esportivo, estando prevista para ocorrer em novembro de 2016. Até esta data, a Força aguardará o resultado dos recursos impetrados pela atleta e o julgamento da mesma pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do Atletismo”, disse a Comissão de Desportos da Marinha, em nota ao LANCE!.

Na última segunda-feira, a velocista foi intimada pelo STJD da modalidade a comparecer a uma audiência na sexta-feira, em São Paulo, para apresentar sua defesa. Só depois do julgamento será possível confirmar se a velocista estará fora dos Jogos Olímpicos do Rio.

A postura da Marinha foi diferente da adotada pelo Ministério do Esporte. A atleta, que já tem índice para disputar os 100m e 200m rasos na Rio-2016, e era esperança do revezamento 4x100m, recebia R$ 8 mil mensais da Bolsa Pódio, mas não teve o benefício renovado depois da divulgação do resultado da contraprova.

“A atleta sempre demonstrou dedicação e disciplina nos treinamentos, obtendo resultados expressivos no cenário do atletismo internacional", diz a nota da Marinha, que reforça o comprometimento da Força no combate ao doping:

"A Marinha do Brasil reitera seu apoio à Agencia Brasileira de Controle de Dopagem, assim como à disputa de competições de forma limpa e aos atletas que treinam duro, que superam desafios para alcançar resultados expressivos em suas modalidades”, informou a instituição.

O exame que detectou o uso do esteroide foi realizado no último dia 3 de fevereiro, durante um camping no Rio de Janeiro. O clube de Ana Cláudia, o BM&F Bovespa, também aguarda o julgamento antes de tomar qualquer medida sobre o caso.

Ana Cláudia Lemos é dona do recorde brasileiro e sul-americano dos 200m rasos, com 22s48.