Guilherme Cardoso
07/08/2016
06:05
Rio de Janeiro

A relação entre Estados Unidos e Cuba sempre foi muito tensa, apesar dos sinais de aproximação nos últimos anos. Historicamente, o que mais se viu entre os países foram muitos conflitos por diferentes ideias políticas, ideológicas, econômicas... Mas em uma casa em Miami, na Flórida, tal ambiente é bem diferente. Afinal, foi em uma moradia na cidade que viveu (e ainda vive) Angelica Delgado, estrela americana do peso meio-leve (até 52kg) no judô e estreante em uma edição dos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro. E também filha de dois desertores cubanos.

Aos 25 anos, Angelica nasceu nos Estados Unidos no dia 14 de dezembro de 1990. Anos antes, seus pais tinham deixado Cuba, como muitos outros naquele país, para tentar viver o “sonho americano”. O pai, Miguel Angel, mal sabia que sonho seria vivido pela menina.

Atleta da seleção cubana de judô, Miguel abandonou o desejo de ir a uma Olimpíada ao deixar sua terra natal. Mas foi por conta de seu amor pelo esporte que, neste ano, Angelica vai subir ao tatame na Arena Carioca 2, no Parque Olímpico, neste domingo.

– Comecei o judô por causa do meu pai. Vi o quimono dele uma vez, quando eu tinha por volta de oito, nove anos, no armário. Perguntei o que era. E ele falou que me mostraria o que era o judô. Ele é uma pessoa muito passional e gosta muito do esporte. Digo que ele tem três filhos: eu, meu irmão e o judô. Ele é apaixonado e transmite muito isso – afirmou Angelica em entrevista ao site do LANCE!.

Miguel se tornou um dos primeiros treinadores, e principal incentivador, de sua filha. Mesmo em um país onde a modalidade é pouco praticada e conhecida, muito diferente do que ocorre justamente em Cuba.

Apesar disso, Angelica não se abateu. Se apaixonou pelo judô, assim como seu pai. E agora, vai fazer sua estreia em Jogos Olímpicos.

– Para ele, é um sonho se tornando realidade. Meu pai foi para os Estados Unidos e não conseguiu disputar uma Olimpíada, competir pelo time olímpico. Me ver lutando nesse nível é como se ele estivesse aqui. Ele me ensinou minhas primeiras técnicas, é uma parte dele que está dentro do tatame – declarou a judoca.

Angelica quer se tornar a segunda americana campeã no judô, após o ouro de Kayla Harrison em Londres-2012. O pai estará na arquibancada. Será que o cubano verá a realização de outro sonho americano?

- Espero fazer o meu melhor, treinei a vida inteira para isso. Estou fazendo isso desde que tenho nove anos, estou com 25 agora. Estou trabalhando muito, faço isso porque eu amo. Todos que fazem isso no nosso time é porque ama o esporte. Não temos o apoio que precisamos nos Estados Unidos - destacou.