Luiz Fernando Gomes
18/08/2016
21:42
Rio de Janeiro (RJ) 

Márcio veio da Bahia com a mulher e os filhos gêmeos de seis anos. Paulo e a namorada são de São Paulo. Maria é brasileira, mas mora em Buenos Aires. Nesta quinta todos se encontraram num programa inusitado, do qual nenhum deles sabia o que poderia esperar: a primeira volta feminina do torneio de golfe da Rio-2016.

Parece incrível, mas um esporte que para a maioria das pessoas é chato e "metido a besta" transformou-se na Olimpíada numa experiência interessante que agrada em cheio quem vai ao campo da Barra. Nem tanto pela competição - é difícil para um leigo entender -, mas especialmente pela quantidade de atividades paralelas que oferece ao público que vai até o local.

– Quando a gente resolveu comprar ingressos para o golfe minha mulher torceu o nariz. Mas está todo mundo curtindo muito. As crianças adoraram o mini-golfe. Nunca imaginei ver uma partida de golfe ao vivo - diz o baiano Márcio de Souza que, além do golfe, já assistiu basquete, vôlei e taekwondo.

O minigolfe das crianças é só uma parte. Tem simuladores para adultos, uma exposição de fotos que conta a história do esporte e, na Praça de Alimentação, ao invés das filas longas e desagradáveis do Parque Olímpico e outras arenas, reina tranquilidade ao som de um conjunto de acordeão, violino e clarinete que embala as refeições dos visitantes.

Mas e o jogo? Bem, a maior parte do público não fica nas arquibancadas - até pelo sol insuportável. Prefere caminhar entre os buracos pelas trilhas abertas no meio do campo. Quase ninguém entende nada, mas monitores que acompanham cada grupo levantam placas na hora de ficar em silêncio e puxam os aplausos quando a tacada foi boa. O resultado é que os golfistas se divertem com um público inusitado e o público curte, ao seu modo, o voo das bolinhas. Mais olímpico impossível.