Jonas Moura
15/08/2016
15:09
Rio de Janeiro (RJ)

Primeira nadadora brasileira a conquistar uma medalha olímpica, Poliana Okimoto soube tirar proveito do "esquecimento" de seu nome nos últimos anos para voltar aos holofotes e fazer história mais uma vez nos esportes aquáticos.

Os melhores resultados de Ana Marcela Cunha criaram grandes expectativas sobre a baiana, que virou protagonista da modalidade, mas terminou a prova de 10km dos Jogos Rio-2010 apenas em 10º. A paulista, por sua vez, saiu com o bronze, após a desclassificação da francesa Aurelie Muller.

- A pressão não estava em cima de mim. Era totalmente em cima da Ana Marcela. Acho que a experiência conta muito. Contou hoje, principalmente na última volta. Tudo é aprendizado. Em Londres, eu saí muito chateada. Fiquei em depressão durante meses. Só que temos de levar como lição para nos tornarmos pessoas e atletas melhores - afirmou Okimoto, após a prova.

Não foi só a ascensão de Ana que afastou a compatriota dos pódios nas principais competições do calendário. Em junho de 2014, Poliana sofreu uma fissura no disco da coluna cervical na etapa da Copa do Mundo de Setubal (POR). O episódio fez com que o foco no ano seguinte fosse apenas a obtenção da vaga olímpica, assegurada no Mundial de Kazan (RUS).

A última volta mencionada pela medalhista reservou uma decisão difícil. Na maratona aquática, as atletas têm alimentos à disposição durante os percurso, mas a brasileira optou por não parar. Nadou desidratada e perdeu o fôlego, uma das razões para ter perdido a segunda colocação no fim. Mas acredita que foi a atitude mais acertada.

- Estava meio seca, mas acho que tomei a atitude certa. Se eu tivesse parado, todo mundo teria encaixotado ali e talvez eu não tivesse conseguido a medalha. Depois do que vivi em Londres, passei a levar tudo de forma mais tranquila, sem tanta pressão e obrigação. Vim aqui totalmente para curtir. Sempre ouvi o psicólogo falar: "Vai lá se divertir". Como eu vou me divertir? Não tem como, eu pensava - brincou Poliana, que hoje entende o conselho.


- É tanta pressão pessoal. Você se mata durante quatro anos para chegar a esse momento,e a prova dura duas horas. Eu não entendia isso. Acho que finalmente consegui entender essa diversão.

Em Londres-2012, ela teve uma hipotermia e teve de abandonar a disputa. Entrou em depressão durante meses até retomar o foco para os Jogos no Brasil.

Atleta do ano em 2013 e eleita a melhor do mundo em águas abertas pela revista Swimming World no mesmo ano, a paulista é dona de quatro medalhas em Mundiais: em Barcelona, levou o ouro nos 10km, a prata nos 5km e o bronze nos 5km por equipe; em Roma (ITA), em 2009, levou o bronze nos 5km. Faturou a prata nos Pan do Rio, em 2007, e Guadalajara (MEX), em 2011.