Felipe Domingues
13/08/2016
17:22
Rio de Janeiro (RJ)

Há um ano, qualquer fã de tênis que dissesse que Juan Martín del Potro estaria na final da Olimpíada do Rio de Janeiro, seria considerado louco. Batalhando contra diversas lesões, como a do punho, que o tirou das quadras por mais de um ano, o argentino sofria para recuperar a forma que o levou a estar no seleto grupo dos quatro melhores do mundo. Neste sábado, porém, ele voltou e, contra todas as previsões, chegou à decisão olímpica.

E o caminho até a briga pela medalha de ouro não foi simples. Além de ter de derrotar o espanhol Rafael Nadal de virada na semifinal deste sábado, por 2 sets a 1, com parciais de 5-7, 6-4 e 7-6 (7-5), em 3h08 de partida, o argentino superou ninguém menos do que o líder do ranking logo na estreia no Brasil, o sérvio Novak Djokovic.

Com a experiência de quem já conquistou um título de Grand Slam e enfrentou alguns dos melhores tenistas da história, Del Potro provou a todos os críticos que, no momento, as lesões estão no passado. Com um saque fortíssimo e uma direita que castigou durante toda a partida, o argentino mostrou não somente que retornou, mas que pode voltar a ser representativo no tênis.

Medalhista de bronze em Londres (ING), o tenista avançou pela primeira a uma decisão olímpica. E o fez contra uma torcida que não somente apoiava seu rival, mas que vaiava qualquer tipo de incentivo dos torcedores argentinos, presentes em grande número na quadra central. Além disso, sobreviveu a uma verdadeira batalha, já que, por 3h08, teve de superar diversos altos e baixos dentro do mesmo jogo.

Após a partida, o emocionado Del Potro saudou os espectadores e, como era de se esperar, chorou. Chorou como quem lembrasse que, há pouco tempo, estava com o punho direito imobilizado. Depois, dirigiu-se aos anéis olímpicos desenhados no chão e os beijou, como quem dissesse: "chegou a minha hora".

Gostando ou não, o público brasileiro pode ter uma certeza: a cada instante que Juan Martín del Potro pisa em quadra, uma história de superação é escrita. O último passo para a consagração derradeira do argentino será derrotar o segundo melhor do mundo, o britânico Andy Murray. Será possível?