Volei - Escadinha (foto:Divulgação/FIVB)

Escadinha festeja com Lucarelli (Foto:Divulgação/FIVB)

Daniel Bortoletto
16/08/2016
08:42
Rio de Janeiro

Aos 40 anos, o líbero Serginho Escadinha é um ídolo de 10 entre 10 companheiros da Seleção Brasileira masculina de vôlei. Não apenas pelas diversas conquistas no vôlei, mas também pela história de superação Contra a França, ele foi decisivo não apenas por ter feitos passes perfeitos, defesas difíceis ou pelas contagiantes comemorações.

Com seu estilo único de fazer analogias entre o esporte e a vida, o campeão olímpico em 2004 levou parte da equipe às lágrimas com um discurso carregado de emoção antes do confronto decisivo com os franceses.

- Eu tinha falado para os caras que todos eles têm mais um ciclo olímpico. Eu não tenho. Então perguntei se eles já tinham visto alguém na UTI. Se eles não estivessem visto, eu falei: "Eu estou na UTI. Estou lutando para viver e vocês vão lutar para me trazer de volta". Não sei dizer se o time jogou por isso, mas sei lá. Todos eles são jovens, têm outro ciclo olímpico. O meu não. Se Deus quiser, acaba domingo. Vou brigar até o fim. Acho que o grupo entendeu - contou Escadinha, já pensando em encerrar a carreira na Seleção com mais uma medalha olímpica, a quarta.

Nascido e criado em Pirituba, o líbero sempre gosta de exaltar as raízes, a vida simples e os percalços de toda a trajetória, não apenas no esporte. E mais uma vez conseguiu contagiar o grupo, que o agradeceu depois da classificação para as quartas de final.

- O Escada falou umas palavras para a gente que foram bacanas. "Galera, estou deitado nessa maca e pode ser meu último jogo. É um passo para o inferno ou para a terra. Joguem por mim". Ele deixou a galera com ainda mais gana, vontade. O coração contou um pouquinho mais - admitiu o central Lucão.

- De certa forma o discurso do Serginho tocou todo mundo. A gente não sabia se a gente ia conseguir, mas sabia que a gente tinha que deixar tudo aqui. E foi isso que a gente fez - completou Bruninho.