Igor Siqueira
05/08/2016
07:30
Rio de Janeiro (RJ)

Uma agenda agitada, tensões, assuntos a resolver, reuniões, coletivas. A véspera da abertura dos Jogos Rio-2016 passou longe da calmaria para o prefeito da Cidade Olímpica, Eduardo Paes. Não deu nem para assistir à estreia do Brasil no futebol masculino.

O prefeito chegou ao primeiro evento do dia, na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em Botafogo, por volta das 9h10. O tema? Negócios. Eduardo Paes discursou na abertura do encontro no qual também teve a companhia do governador em exercício, Francisco Dornelles. Ele se assentou ao lado do próprio Dornelles.

Foi Paes chegar que o evento, programado para as 9h, teve início. O prefeito nem sequer pegou a credencial dele, que ficou com o staff da Prefeitura. Não precisava. Já nos agradecimentos iniciais, o prefeito deu uma das declarações irreverentes do dia, dizendo que os cônsules de Alemanha e EUA tinham, por trabalharem no Rio, empregos melhores que os embaixadores, que ficam em Brasília.

ENTREVISTAS...

Após o discurso, Paes teve o primeiro contato direto com jornalistas. E foi mais duro com um inglês que questionou sobre atrasos na Rio-2016 e crise financeira no Rio.

– Você está errado. Precisa estar melhor informado. Na cidade, pagamos os funcionários em dia, temos muito dinheiro. Não se preocupe. Mas me diga uma instalação aberta no último minuto. Todas foram entregues a tempo.

A parte irreverente da conversa com os jornalistas foi sobre ter carregado a tocha olímpica, no dia anterior.

– Fiquei todo pimpão de uniforme olímpico. Me convidaram e fiquei feliz da vida, adorei. Se me convidarem, vou de novo cinco vezes. Que bom que eles me convidaram. Coloquei uma roupa lá. Estou até gordinho. Tentei disfarçar minha barriguinha, mas não consegui.

Outra resposta curiosa foi sobre o carregador da tocha que resolveu abaixar as calças e mostrar a inscrição "Fora, Temer" nas nádegas.

- Cada um na vida se manifesta do jeito que quer, achei esquisito o jeito, mas cada um tem a mania que cada um pode ter.

Por falar em Temer, sobrou um "conselho" ao presidente em exercício caso ele esteja preocupado em ser vaiado no Maracanã, na cerimônia desta sexta:

- Vaia faz parte da vida pública. Meu conselho para o presidente Temer é que se tiver vaia para ele na entrada, vai ter para mim na saída.

NEXT STOP, CASA BRASIL

O prefeito deixou a FGV após falar por 12 minutos com a imprensa. O próximo destino? Inauguração da Casa Brasil, no Pier Mauá. A solenidade, que contou com a presença de ministros, como o do Esporte, Leonardo Picciani, e o da Casa Civil, Eliseu Padilha, começou pouco antes das 11h. Mais um discurso, desta vez agradecendo ao presidente Temer pelo aporte financeiro que garantiu o salário dos policiais militares.

- Essa ajuda não foi trivial - disse o prefeito.

LEGADO 

Os compromissos se seguiram. E os deslocamentos também. Paes chegou atrasado à coletiva sobre legado olímpico. Deu um susto no staff da Prefeitura quando saiu de rompante durante a fala do ministro Leonardo Picciani. Voltou com cara de quem tinha mais problemas a resolver.

Na série de perguntas dos jornalistas, Paes "gastou" o inglês mais uma vez, agora para falar sobre a água.

- Sobre a qualidade da água no Rio, não é o melhor cenário, mas não é como algumas pessoas dizem, que tem uma bactéria que vai matar todo mundo. O carioca estaria morto se fosse a água fosse tão ruim assim, porque vamos à praia - disparou.

Ministro Leonardo Picciani e prefeito Eduardo Paes (Foto: Igor Siqueira)
Ministro Picciani e prefeito Eduardo Paes (Foto: Igor Siqueira)

NADA DE JOGO

As reuniões intermináveis sobre os Jogos continuaram. Havia uma TV ligada no ambiente em que estava, mas Paes ficou de costas  - assim como o ministro Picciani - e nem viu o empate do Brasil com a África do Sul.

Hoje, mais problemas a resolver. Mais chefes de estado e autoridades para se encontrar. Mas a diferença é que será com direito a uma enorme e aguardada festa ao fim do dia. Que comecem os Jogos!