Wilson Baldini Jr.
22/08/2016
06:55
São Paulo (SP)

É verdade que o brasileiro gosta de vencedores, mas a Olimpíada do Rio mostrou que também gosta de acompanhar todas as modalidades e têm curiosidade em aprender todos os esportes.

Em conversa com um amigo, levantei uma tese de que é possível alimentar nossos mais de dez canais de TV especializados em esporte com transmissões, pois são muito os eventos esportivos pelo mundo. Mas ele me desanimou, ao dizer que a partir desta segunda-feira o foco da telinha esportiva voltará em quase sua totalidade para o futebol.

Nomes como os de Isaquias Queiroz, Thiago Braz, Robson Conceição, Erlon Silva, Maicon Siqueira, Rafael Silva, Mayra Aguiar, Rafael Silva, Arthur Zanetti, Poliana Okimoto, Arthur Nory, Felipe Wu, Martine Grael e Kaena Kunze só serão lembrados por intermédio do Google.

Eles vão perder espaço para jogos da primeira, segunda, terceira, quarta divisões do futebol nacional e para campeonatos espanhol, italiano, inglês, alemão, chinês, turco, grego, escocês, eslovaco, tailandês e pelo mundo afora. Com direito a repetições em todas as madrugadas. Isso para não falar dos programas de debate pela manhã, tarde e noite. Nos jornais, uma nota de “outros esportes” deverá ser festejada com direito a Hino Nacional.

A monocultura do futebol jamais será quebrada no Brasil. Ainda mais com a medalha de ouro recém conquistada, apesar do empate histórico sem gols com o Iraque. As Eliminatórias para a Copa de 2018 estão aí e, talvez, os erros acobertados na olimpíada, poderão se aflorar. Mas tudo vai seguir como sempre.

Apenas vôlei de quadra e o de praia vão conseguir beliscar um espaço. Um trabalho de popularização feito há mais de 30 anos, que teve início com o saudoso Luciano do Valle. Lembram do “Show do Esporte”? Trouxe futebol americano, NBA, boxe, hóquei e outros esportes em horário nobre e na TV aberta. Saudades do Luciano do Valle.