Wilson Baldini Jr.
11/08/2016
06:50
São Paulo (SP)

Simone Biles, Katie Ledecky, Katinka Hosszú e Scheilla são alguns dos grandes nomes dos Jogos do Rio. Mas as mulheres precisaram batalhar muito para conseguir participar das Olimpíadas e atualmente igualar o número de representantes com os homens. Quase que em todas as modalidades, elas tiveram que demonstrar na prática que eram capazes de realizar os exercícios.

Nos Jogos de Montreal-1976, apenas 20% dos seis mil atletas eram mulheres. E uma delas roubou a cena, ao ser a melhor ginasta, receber a primeira nota 10 numa olimpíada e se transformar não só no maior nome daquela edição olímpica como também num dos maiores mitos do esporte em todos os tempos.

Para aqueles que tinham entre 10 e 15 anos em 1976, Nadia Comaneci foi também a primeira musa olímpica. Aos 14 anos, ela esbanjou classe, leveza e elegância em todos os movimentos. Ganhou três medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze. Quatro anos mais tarde, em Moscou-1980, já uma moça de 18 anos, ganhou mais dois ouros e duas pratas.

Quatro décadas depois, os fãs de Nadia podem vê-la no programa "É Campeão", do SporTV, que reúne nos finais de noite grandes medalhistas olímpicos. E quem pensa que a senhora romena de 54 anos é uma estrela vaidosa e antipática vai se surpreender.

Sempre com o sorriso no rosto, Nadia responde a todas as perguntas e ainda se atreve a participar de todas as brincadeiras, como usar um bigode em homenagem ao norte-americano Mark Spitz, dono de sete medalhas de ouro em Munique-1972, que também é um dos convidados.

Nadia vai todos os dias ao ginásio acompanhar as disputas da ginástica e rasga elogios quando fala da equipe brasileira. "O trabalho dos irmãos Hypólito foi fantástico para a ginástica brasileira", disse ela, que também admira o talento de Daiane dos Santos e Arhur Zanetti. E não demonstra nenhum incômodo ao dizer que a norte-americana Simone Biles será melhor do que ela foi.

Uma pena o tempo passar. Nadia não se aventura mais na ginástica, mas quer aprender a sambar. Até agora ninguém se habilitou a ensiná-la. Uma pena eu estar em São Paulo, ser casado e não saber absolutamente nada de samba.