Wilson Baldini Jr.
08/08/2016
06:30
São Paulo (SP)

Achei muito bem sacada a gozação da torcida do futebol sobre a goleira norte-americana Hope Solo, que antes dos Jogos posou em uma foto toda protegida contra o vírus da zika. Cada vez que a bela goleira toca na bola vem o grito “Zi-ka”.

Ao mesmo tempo, em alguns momentos, o comportamento nos ginásios e arenas na Rio-2016 não tem sido correto. É preciso saber torcer.

Na disputa do ouro no tiro esportivo, houve uma comemoração intensa após o último disparo de Felipe Wu. O problema é que ainda faltava a última tentativa do vietnamita. E, para piorar a situação, o atirador acertou na mosca e deixou o brasileiro com a prata. Foi como gritar um gol antes da hora.

O próprio Wu também chegou a reclamar do barulho intenso durante a disputa. Atrapalha a concentração em uma modalidade decidida nos centímetros. O torcedor precisa se moldar para acompanhar cada modalidade.

Nos esportes coletivos e nas lutas pode-se fazer quase tudo. “Uh, vai morrer!”, gritaram da arquibancada do Rio Centro a cada entrada dos adversários dos boxeadores nacionais.

Não prejudica em nada o desempenho dos pugilistas.

Mas o mesmo não se pode dizer, por exemplo, da ginástica. Não cabem vaias em um erro do japonês favorito Kohei Uchimura. Fica feio. O atleta nem vai entender uma reação dessa do público. As comemorações após uma grande apresentação de Diego Hypólito e Cia. estão liberadas. Assim como foi visto no sábado.

O pessoal do tênis sabe que o clima olímpico é muito parecido com o da Copa Davis. Ou seja: vale tudo. Esqueçam o silêncio sepulcral de Wimbledon ou Roland Garros.

Lembram do comportamento do lendário Oscar durante os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio? Um absurdo. Não pode ser repetido. O calor das arquibancadas é bonito, mas não pode haver falta de respeito.