Wilson Baldini Jr.
03/08/2016
18:23
São Paulo (SP)

Minha primeira lembrança olímpica vem de Montreal-1976. A competição foi marcada pela até então inédita nota 10 recebida pela ginasta romena Nadia Comaneci. Tal feito incentivou o professor "Barba" a iniciar seus alunos de Educação Física em uma escola estadual na Barra Funda, bairro tradicional de São Paulo, na prática da ginástica.. Alguns poucos se aventuravam a dar piruetas e mortais assustadores, sem nenhuma técnica, afinal a modalidade era totalmente desconhecida, pelo professor e ainda mais pelos jovenzinhos.

Na transmissão da TV, arcaica perto do que se vê hoje em dia, era difícil entender as disputas no solo, cavalos com alça, salto, barras paralelas, barra fixa e argolas. Nem os nomes dos principais atletas eram compreensíveis. O japonês Mitsuo Tsukahara, o soviético Nicolai Andrianov, o húngaro Zoltán Magyar e as soviéticas Olga Korbut e Nellie Kim faziam mágicas no esporte mais bonito das olimpíadas. E nem em sonho passava pelas nossas cabeças que um brasileiro pudesse atingir aquele nível de competição.

Quando a carioca Luiza Parente ficou entre as 36 melhores ginastas em Seul-1988, em uma edição sem boicote, parecia que o País havia atingido seu máximo na modalidade. Mas o longo e conpetente trabalho iniciado pela técnica Georgette Vidor, no Flamengo, e ampliado pelo treinador ucraniano Oleg Ostapenko, formou uma geração talentosa.

Foi possível ver em Pequim-2008 a reverência de atletas estrangeiros a Daiane dos Santos e Diego Hypólito, campeões mundiais, que ficaram muito perto de uma conquista olímpica.

Mas coube a um gigante de 1,56 metro a maior conquista olímpica da ginástica brasileira. Com força e equilíbrio, Arthur Zanetti atingiu a perfeição em 90 segundos de apresentação nas argolas e ficou com a inimaginável medalha de ouro em Londres-2012.

No Rio, o "rei" Arthur é candidato ao bicampeonato olímpico. Uma nova conquista seria absolutamente extraordinária em um país que sofre com a monocultura do futebol. Mas mesmo sem ela o garoto do ABC paulista já tem seu nome ao lado de semideuses como Adhemar Ferreira da Silva, Joaquim Cruz e João do Pulo.

Tomara após a Rio-2016 algum garoto possa gritar em uma escola do País o nome de Arthur Zanetti depois de um salto em uma aula de Educação Física.