Wilson Baldini Jr.
19/08/2016
06:25
São Paulo (SP) 

Antigamente, os comentários sobre os resultados esportivos – assim como todos os outros – se limitavam ao papo de esquina, nos bares, padarias ou, como ocorria na época do meu avô, na porta do açougue. As discussões eram quentes. Se ouvia de longe uma pessoa tentando impor sobre outra ou sobre um grupo a sua opinião. E na maioria das vezes a tese acabava ali mesmo.
Os anos passaram e agora as opiniões ganharam espaço nas redes sociais. Mais gente fica sabendo da opinião de uma pessoa e, lógico, as discordâncias são maiores, assim como as críticas.

Em época de Olimpíada, o desempenho dos atletas é alvo de opinião de todos os jeitos. Muitas vezes por pessoas que não entendem absolutamente nada da modalidade. Todo mundo se acha no direito de analisar performances e falar todo tipo de bobagem, ferindo o sentimento de atletas que dedicaram uma vida a um esporte e não obtiveram uma vitória simplesmente porque o adversário foi melhor ou porque cometeu um erro.

O melhor exemplo é o da judoca Rafael Silva. Massacrada pelos internautas por causa da eliminação na Olimpíada de Londres-2012, a carioca ganha a medalha de ouro e muitos daqueles críticos se tornam fãs da atleta carioca.

Mesma coisa aconteceu com a nadadora Joanna Maranhão. Quinto melhor tempo nos 400 m medley em Atenas/2004, participou de três Jogos, dona de sete medalhas pan-americanas, mas foi moída por causa de comentários políticos.

Neymar também teve seu nome riscado de camisetas da Seleção por causa dos maus resultados no início dos Jogos, mas tem tudo agora para virar herói se a Seleção Brasileira ganhar o ouro olímpico. Isso para não falar do francês saltador com vara.

A todos os atletas, ou pessoas comuns, tenham calma. A crítica, o elogio, tudo nas redes sociais dura apenas até a próxima notícia.