Diretores falam sobre a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos

Diretores falam sobre a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos no auditório do Maracanã (Foto: Jonas Moura)

Jonas Moura
02/09/2016
12:59
Rio de Janeiro (RJ)

O Comitê Rio-2016 reconhece que a pressão de fazer bonito na festa de abertura dos Jogos Paralímpicos, que acontece na próxima quarta-feira, no Maracanã, aumentou depois do sucesso nas cerimônias dos Jogos Olímpicos. Para atender às expectativas, a organização garantiu nesta sexta-feira que o padrão do evento será mantido, tanto em estrutura quanto em emoção.

- Herdamos som, luz, projeção, e todo o teatro em que se transformou o Maracanã nas cerimônias olímpicas. Permanecemos com o mesmo nível de equipamentos. Não foi diminuído nada. Trabalhamos com um conceito criativo forte, de desmontar o preconceito contra a deficiência. Entendemos que os atletas são inspirações - afirmou o produtor executivo de cerimônias do Comitê Rio-2016, Flávio Machado.

A entidade recorreu ao uso de recursos públicos para entregar a Paralimpíada, com atenção especial às festas de abertura e encerramento. União e prefeitura disponibilizaram R$ 250 milhões, dos quais o Comitê utilizou R$ 30 milhões.

A expectativa é de que não seja necessário pedir o restante, uma vez que o patrocínio de estatais, como Petrobras, Caixa Loterias e Apex, seria suficiente para cobrir os gastos. O L! apurou que o último contrato a ser assinado é com a Embratur. Com isso, a conta dos Jogos estará fechada.

- Um dos momentos em que mais surpreendemos foi no das cerimônias. Nossa expectativa para os Paralímpicos é igual. Agora, há uma expectativa grande, e para alguns fica aquela preocupação se iremos entregar no mesmo nível. Nós temos a certeza de que entregaremos. Pretendemos mostrar ao mundo que a cerimônia paralímpica é tão impecável quanto a olímpica - disse o diretor de comunicação do Rio-2016, Mario Andrada.

O Maracanã só será devolvido ao estado para voltar a receber jogos de futebol no último dia útil de outubro. O Comitê afirma que não será possível antecipar a data, como era desejo de Flamengo e Fluminense, devido à estrutura "monumental" a ser desarmada, além da recuperação do gramado.

A promessa da cerimônia é emocionar o público com atrações artísticas, como uma roda de samba e uma apresentação da snowboarder americana Amy Purdy, medalhista de bronze dos Jogos Invernos de Sochi (RUS), que é biamputada, e criticar o que os diretores de criação chamam de 'ditadura da visão. Outra característica será o humor. O Comitê diz que ainda há 4 mil ingressos disponíveis para a abertura, do total de 45 mil colocados à venda.

"Nós vivemos em um mundo muito visual, mas ela nos engana. Tentamos provocar as pessoas a prestar atenção nos outros sentidos. Quando vemos atletas performando com outros sentidos, serve de inspiração" - Fred Gelli, diretor criativo

- Tentamos fazer uma cerimônia que trata da natureza humana. Falamos da ditadura da visão. Nós vivemos em um mundo muito visual, mas ela nos engana. Tentamos provocar as pessoas a prestar atenção nos outros sentidos. Quando vemos atletas performando com outros sentidos, serve de inspiração. Queremos emocionar e fugir de toda a pieguice, ao nos relacionarmos com essas pessoas inspiradoras - declarou Fred Gelli, um dos diretores criativos.

A cerimônia começará às 18h15 e deve terminar por volta das 21h.