Treino do Brasil no Maracanãzinho

Paulão serão comentarista de TV nos Jogos (Foto Daniel Bortoletto)

Daniel Bortoletto
05/08/2016
06:40
Rio de Janeiro

Um veste amarelo. O outro está de verde. À beira da quadra do Maracanãzinho, Giovane e Paulão acompanham o treino da Seleção Brasileira masculina de vôlei, nesta quinta-feira. E um turbilhão de emoções tomou conta dos dois amigos.

Giovane tem no currículo os títulos olímpicos de 1992 e 2004, além de Mundiais, Ligas, Copas do Mundo... Paulão era outro dos titulares em Barcelona, na primeira conquista olímpica do esporte coletivo brasileiro. Ambos são treinadores e durante a Rio-2016 estarão em cargos diferentes: o ex-ponta como gestor de vôlei da Rio-2016 e o ex-central como comentarista da RBS, afiliada da Rede Globo no Sul do país.

- Quando me convidaram para vir para cá e me disseram que eu poderia assistir às partidas de voleibol volta toda a emoção lá de trás, as lembranças positivas. Depois a chegada no aeroporto, entrada na Vila de Mídia, passar pelo Parque Olímpico... Para quem viveu essa coisa de Olimpíada, viver a competição em casa, é demais. Joguei aqui o Mundial de 1990. E hoje é um outro ginásio, mais mais bonito, muito mais alegre. A arquibancada era cinza. Agora parece outro. A principal recordação que eu tenho foi o jogo com a Itália, era decisivo, perdemos por 3 a 2 - lembrou o ex-central, citando a doída derrota na semifinal do Campeonato Mundial de 1990, no mesmo Maracanãzinho.

Paulão é pai de dois jogadores de vôlei: Pedro, levantador, e Pietra, atacante. O primeiro, que no ano passado disputou o Mundial Juvenil com a Seleção, no México, defenderá o novo time do Sesc na próxima temporada. E assim terá nova ligação com Giovane, um dos responsáveis pelo projeto. Já a filha volta a jogar em Osasco, no projeto do Bradesco, após se recuperar de uma cirurgia.

Giovane já se sente em casa no ginásio. Ele foi um dos responsáveis pela reforma da instalação esportiva e convive quase diariamente com o espaço desde fevereiro.

Treino do Brasil no Maracanãzinho
Giovane é do Comitê Organizador (Foto Daniel Bortoletto)


- Felicidade de ver a transformação, com o Maracanãzinho ficando mais bonito, mais acessível, dentro de uma configuração mais moderna. No dia que colocaram os aros olímpicos no chão foi bem emocionante. A ficha começou a cair de que eu estava vivendo a minha quinta Olimpíada. Como atleta você fica mais envolvido, é mais carregado de emoção. O momento desafiador foi logo início de 2016, quando a gente fez uma vistoria no teto e por alguns dias a gente passou por algum receio de que tivesse que mexer no teto ou algo mais difícil. Mas depois deu alívio por não precisar mexer em estrutura nenhuma. Era recuperar a manta, o material impermeabilizante do teto, e aí tudo se tornou mais controlado. Foram quase três meses de obra, onde colocaram o Maracanãzinho novinho. Essa experiência foi muito rica para mim. É um MBA - comentou.

Terminados os Jogos, Giovane e Paulão voltarão a ser treinadores. O primeiro vai assumir o cargo na Seleção Brasileira juvenil. Nos bastidores, é visto como um sucessor natural de Bernardinho, caso o atual comandante da equipe adulta não siga no comando. Já o gaúcho Paulão retorna para o Sul, onde comandará o Bento Vôlei em mais uma Superliga.

- Foi uma surpresa, mas fazia parte do meu sonho. Quando me ligaram, ainda numa conversa muito preliminar, me falaram dessa ideia. E foi um momento muito feliz para mim, o fato de poder vestir a camisa da Seleção de novo é algo sensacional para quem passou lá 16 anos. Os Jogos terminam no domingo e na segunda-feira já estou lá - disse Giovane.