Felipe Domingues
23/08/2016
08:10
Rio de Janeiro (RJ)

Uma medalha de ouro. Foi assim que a Grã-Bretanha saiu dos Jogos de Atlanta (EUA), há 20 anos. Nesse momento, o governo do país decidiu que precisava agir para melhorar o desempenho do esporte britânico. Isso foi feito e, no Rio de Janeiro, a nação conquistou 29 láureas douradas, quatro anos depois de sediar o evento, em Londres (ING), sendo a primeira a atingir o feito. Mas o que mudou?

Em 1997, após a performance que foi considerada um fiasco nos Estados Unidos, o governo passou a investir no desenvolvimento dos atletas utilizando verbas provenientes das loterias. E de forma estratégica.

Os esportes que obtiam bons resultados, recebiam um valor maior do que os que não alcançavam pódios. Um exemplo é a ginástica artística que, em Sydney (AUS), em 2000, deixou os Jogos sem medalhas e, por isso, teve o investimento cortado.

Dessa forma, a modalidade teve de retornar à “estaca zero” e, no Rio, obteve sete láureas (duas de ouro). Entre 2012 e 2016, o valor de incentivos esportivos chegou a £ 275 milhões (mais de R$ 1 bilhão).

– A diferença entre nós e outros países é que temos uma visão estratégica a longo prazo, pensando em ciclos de oito anos. O mundo inveja nosso sistema, e reconhecemos isso. Financiamos cerca de 1.400 atletas, sendo 60% deles tidos como potenciais medalhistas olímpicos – disse o diretor de performance da Associação Olímpica Britânica, Simon Timson, ao jornal “Mirror”.

Para o Rio de Janeiro, a Grã-Bretanha enviou 366 atletas. Somando os incentivos federais em cada esporte, cada competidor “custou” £ 868.562 (cerca de R$ 3,6 milhões). A fim de comparação, o Brasil investiu R$ 1,42 bilhões desde 2010 no esporte, com cada atleta custando pouco mais de R$ 3 milhões.

Desde o início dos investimentos em 1997, os britânicos tiveram um aumento gradual de medalhas totais em Jogos Olímpicos: 15 em 1996, 28 em 2000, 30 em 2004, 47 em 2008, 65 em 2012, e 67 em 2016.

Agora, resta saber se o Brasil seguirá os passos da Grã-Bretanha e, quatro anos depois de sediar os Jogos, irá melhorar seu rendimento olímpico. Exemplos não faltam.

Mo Farah - Atletismo
Mo Farah possui quatro medalhas de ouro olímpicas (Foto: AFP)

Confira o desempenho olímpico da Grã-Bretanha e Brasil desde 1992:
Grã-Bretanha:
- Barcelona (ESP), em 1992 -
20 medalhas = 5 ouros / 3 pratas / 12 bronzes
13ª colocação geral

- Atlanta (EUA), em 1996 -
15 medalhas = 1 ouro / 8 pratas / 6 bronzes
36ª colocação geral

- Sydney (AUS), em 2000 -
28 medalhas = 11 ouros / 10 pratas / 7 bronzes
10ª colocação geral

- Atenas (GRE), em 2004 -
30 medalhas =
9 ouros / 9 pratas / 12 bronzes
10ª colocação geral

- Pequim (CHN), em 2008 -
47 medalhas = 19 ouros / 13 pratas / 15 bronzes
4ª colocação geral

- Londres (ING), em 2012 -
65 medalhas = 29 ouros / 17 pratas / 19 bronzes
3ª colocação geral

- Rio de Janeiro (BRA), em 2016 -
67 medalhas = 27 ouros / 23 pratas / 17 bronzes
2ª colocação geral

Isaquias Queiroz
Isaquias Queiroz levou três medalhas no Rio de Janeiro (Foto: AFP)

Brasil:
- Barcelona (ESP), em 1992 -
3 medalhas = 2 ouros / 1 pratas / 0 bronzes
25ª colocação geral

- Atlanta (EUA), em 1996 -
15 medalhas = 3 ouro / 3 pratas / 9 bronzes
25ª colocação geral

- Sydney (AUS), em 2000 -
12 medalhas = 0 ouros / 6 pratas / 6 bronzes
53ª colocação geral

- Atenas (GRE), em 2004 -
10 medalhas = 5 ouros / 2 pratas / 3 bronzes
16ª colocação geral

- Pequim (CHN), em 2008 -
16 medalhas = 3 ouros / 4 pratas / 9 bronzes
23ª colocação geral

- Londres (ING), em 2012 -
17 medalhas = 3 ouros / 5 pratas / 9 bronzes
22ª colocação geral

- Rio de Janeiro (BRA), em 2016 -
19 medalhas =
7 ouros / 6 pratas / 6 bronzes
13ª colocação geral