Campo Olímpico de Golfe, na Barra da Tijuca. (Foto: Renato Sette Camara/Prefeitura do Rio de Janeiro)

Campo Olímpico de Golfe, na Barra da Tijuca. (Foto: Renato Sette Camara/Prefeitura do Rio de Janeiro)

RADAR/LANCE!
04/08/2016
11:03
Rio de Janeiro (RJ)

Foram 112 anos de ausência. E, agora que está de volta, o golfe vive o risco de despedir-se já para a próxima edição dos jogos, em Tóquio 2020. Longe de ser popular no Brasil, o sucesso do esporte nas Olimpíadas do Rio preocupa organização e lendas da modalidade, como o ex-golfista Gary Player. E não só por toda a polêmica causada pela construção do campo de golfe, na Barra da Tijuca (a praça esportiva foi construída onde, antes, havia área de proteção ambiental). Ganhador de nove majors e capitão do time sul-africano no Rio, Player acredita que o formato em que será disputado o torneio de golfe é um grande empecilho para o sucesso da modalidade nos jogos.

- Todos os esportes nas Olimpíadas são rápidos. Ninguém quer disputas por medalha que se arrastem. Você quer matchplay (um dos formatos de disputa do golfe), ou duelos entre quatro atletas, alguma coisa que possa ser disputada em menos de quatro horas. Isto é essencial - pede Player.

Nos Jogos Olímpicos do Rio, o golfe será disputado no formato strokeplay: os jogadores percorrem o campo de 18 buracos quatro vezes - durante quatro dias - num total de 72 buracos. Vence quem completar o percurso com o menor número de tacadas. No formato matchplay, sugerido pelo sul-africano, os golfistas duelam por todo o campo, e, conforme vá se tornando inviável para os competidores alcançar o líder, os atletas vão caindo fora da disputa, o que abrevia o tempo de jogo.

Mas o formato de disputa não é o único problema que o golfe enfrenta no Rio. Alguns dos principais nomes da modalidade, como os americanos Dustin Johnson e Jordan Spieth, o irlandês Rory McIlroy e o australiano Jason Day, decidiram não vir ao Rio para a disputa dos jogos. O motivo: medo de contrair o Zika vírus. O pretexto causou irritação dentro do Comitê Olímpico Internacional (COI) e, segundo Rodrigo Mattos, do UOL, foi considerado "ridículo" por Franco Carraro, italiano membro da entidade. O time sul-africano, liderado por Gary Player, também teve duas baixas: Branden Grace, número 10 do mundo, e Charl Schwartzel, 23º no ranking mundial, alegaram o mesmo motivo para não integrar a delegação de seu país. Para Player, a ausência dos mais importantes golfistas é um "embaraço".

- Você tem mais chande de morrer em um acidente de carro, ou por um tiro do que de Zika. Ouvi dizer que há 10 casos de Zika em Miami. Então quer dizer que todos os golfistas profissionais vão deixar a Flórida e ir viver em outro lugar?Eles não querem promover o golfe. Não imaginam o quão sortudos são e o que as Olimpíadas significam para o esporte. Eu daria tudo para jogar - afirma Player.

Apesar disso, o ex-jogador de 80 anos acredita que o golfe será um sucesso nas Olimpíadas. E é bom que seja, já que o esporte não está garantido nas Olimpíadas de Tóquio 2020. Enquanto isso, o COI já se prepara para viver situação semelhante daqui a quatro anos. Nesta quarta (3), a entidade promoveu a inclusão do beisebol no currículo dos próximos Jogos. No entanto, ainda não há acordo com a MLB, a liga norte-americana do esporte, para a participação dos principais jogadores do mundo no torneio olímpico.