Cesar Cielo

Cielo concentrou todas as energias para a prova dos 50m livre desta quarta (Foto: Satiro Sodré/ SSPress)

Jonas Moura
20/04/2016
00:30
Rio de Janeiro (RJ)

Foram quatro meses de forte apreensão. Desde que abandonou a disputa dos 50m livre na primeira seletiva da natação brasileira para os Jogos Rio-2016, em dezembro do ano passado, Cesar Cielo vive um clima de tudo ou nada.

Nesta quarta-feira, a partir das 9h30, ele disputa a eliminatória da prova no Troféu Maria Lenk, no Rio de Janeiro, para dar ao Brasil e ao mundo a resposta sobre em qual destes extremos sua carreira se encontra. As finais acontecem às 17h.

Atual recordista mundial na distância, com 20s91, obtidos em 2009, o nadador tem a última chance de competir pela terceira vez no megaevento. Ele precisa superar não só o índice de 22s27, mas seus concorrentes, o que significa cravar pelo menos uma marca superior aos 22s08 de Ítalo Manzine, segundo melhor até o momento, feitos em dezembro.

Isso, é claro, se ninguém melhorar seus tempos. Bruno Fratus (21s50) é o líder do ranking até aqui. Marcelo Chierighini (22s17), Matheus Santana (22s17) e Henrique Martins (22s25) também já alcançaram o índice.

Na prova mais tradicional da natação, Cielo faturou um ouro olímpico, em Pequim-2008, e um bronze, em Londres-2012, além de ser tricampeão mundial (2009, 2011 e 2013). Mas as credenciais parecem insuficientes diante do que o astro viveu nos últimos tempos. Uma lesão no tendão no ombro esquerdo e a falta de foco pesaram.

A última vez que ele nadou abaixo do índice olímpico foi há mais de um ano, no Maria Lenk, quando cravou 21s84. Mesmo que tantos fatores apontem para um cenário desafiador, o atleta tem a confiança da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), que considera até incluí-lo no revezamento 4x100m, como reserva, caso ele obtenha a classificação na prova de hoje.

"Cielo tem peso maior do que os outros até na vaga de terceiro reserva. Tem uma importância grande para a equipe, porque é uma pessoa que se supera na hora H" - Coaracy Nunes

– Cielo tem peso maior do que os outros até na vaga de terceiro reserva. Tem uma importância grande para a equipe, porque é uma pessoa que se supera na hora H, quando todo mundo menos espera. É o que vai acontecer amanhã (hoje) – declarou o presidente da CBDA, Coaracy Nunes, ao LANCE!.

– Eu acho que ele consegue. Vai nadar na casa dos 21s e, com isso, entrar na equipe do 4x100m livre normalmente. Estou confiante. Confio no Cielo até dizer chega – afirmou.

Pelas novas regras da Federação Internacional de Natação (Fina), Cielo só poderá ser inscrito como reserva no 4x100m livre se, necessariamente, nadar a eliminatória ou a final. A decisão é da CBDA, que terá de escolher entre a experiência do recordista mundial e a juventude de Gabriel Santos, dono do quinto tempo.

No Rio, Cielo bateu o índice nos 100m livre, mas ficou com o sétimo tempo do país, atrás de Marcelo Chierighini, Nicolas Oliveira, João de Lucca, Matheus Santana, Gabriel Santos e Alan Vitória. Ele nem sequer disputou a final, com o objetivo de preservar o corpo para o "Dia D". 

Será que o esforço terá valido a pena?

Cielo e Coaracy
Cielo e Coaracy no Troféu José Finkel de 2008 (Foto: Satiro Sodré/CBDA)

OS PERCALÇOS DE CIELO

Mundial de Kazan
Em agosto do ano passado, Cesar Cielo teve uma frustração no Mundial de Kazan (RUS). Ele reclamou de dores no tendão supra espinhoso do ombro esquerdo, após ficar em sexto nos 50m livre, e abandonou a disputa. Só retornou aos treinamentos em outubro, sem ritmo.
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Torneio Open
Na primeira seletiva olímpica da natação brasileira para os Jogos, disputada em Palhoça (SC), em dezembro, Cielo ficou fora da final dos 100m livre (nadou para 49s55, bem abaixo dos 48s99 necessários) e novamente se despediu precocemente. Nem sequer tentou índice nos 50m livre.
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Falta de foco
Se 2015 foi um ano para esquecer na vida profissional de Cielo, no âmbito privado ele ganhou um presente: no dia 21 de setembro, nasceu Thomas, fruto do casamento com a modelo Kelly Gisch. Pessoas próximas admitem que o fato contribuiu para a perda de foco.
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Tudo ou nada
A virada para 2016 veio com a substituição do técnico Arílson Silva pelo americano Scott Goodrich e a mudança para Phoenix (EUA). Em março, no GP de Orlando, ele foi sexto nos 50m livre, com 22s47.