Alex Sabino, Bernardo Cruz, Lucas Pastore e Luis Fernando Coutinho
13/08/2016
06:05
São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ)

Neste sábado, a Seleção Brasileira masculina de basquete enfrenta a Argentina às 14h15, na Arena Carioca 1, e precisa de uma vitória para continuar com boas chances de se classificar para as quartas de final da Olimpíada do Rio de Janeiro. Por isso, espere um jogo tenso. Enquanto os dois times se preparam para o clássico, a organização trabalha para que a tensão fique apenas dentro de quadra.

Por provavelmente se tratar da última Olimpíada de ídolos do basquete argentino que conquistaram a medalha de ouro nos Jogos de 2004, como Manu Ginobili, Carlos Delfino, Andrés Nocioni e Luis Scola, a modalidade recebe atenção especial dos torcedores hermanos, que encheram a Arena Carioca 1 nos três primeiros jogos da seleção – vitórias sobre Nigéria e Croácia e derrota para a Lituânia.

De acordo com funcionário da organização ouvido pela reportagem do LANCE!, os torcedores argentinos são os que mais têm dado trabalho no ginásio por não respeitarem a numeração das cadeiras.

O clima de provocação já começou. Os brasileiros presentes nos três primeiros jogos de basquete da Argentina cantaram músicas ofensivas e foram respondidos pelos hermanos. As canções entoadas têm ligação com o futebol.

Na sexta-feira, o LANCE! publicou na coluna De Prima que um esquema especial de segurança foi montado para a partida. A Força Nacional considera o jogo de risco e, por isso, o interior e o entorno da Arena Carioca 1 terão segurança reforçada.

Se perder, o Brasil precisará vencer a Nigéria e torcer contra a Espanha para se classificar – e muito provavelmente em quarto, o que significaria enfrentar os Estados Unidos nas quartas. O clássico vai ser tenso. Que seja só na quadra!

BRIGA NO TÊNIS MOTIVA CAMPANHA PELA PAZ

Na quarta-feira, Luiz Lima, secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento do Brasil, e Javier Mac Allister, secretário de Esportes, Educação Física e Recreação da Argentina lançaram campanha para estimular a convivência pacífica entre torcedores. Segundo com comunicado do Rio Media Center, a motivação da ação foi uma briga de duas pessoas durante partida de tênis.

— Não podemos deixar que nada prejudique esse momento especial para o Brasil e para toda a América do Sul. Por isso estamos aqui lançando essa campanha para que brasileiros e argentinos se abracem – disse Lima, endossado por Mac Allister.

– Na Copa do Mundo começou a aumentar esse distanciamento que vemos hoje, por isso iniciamos essa ação – declarou o argentino.

Em 2018, os hermanos serão sede dos Jogos Olímpicos da Juventude, e a ação pretende criar um clima pacífico pensando na competição. Também estiveram presentes na ação o subsecretário de Esporte e Alto Rendimento da Argentina, Orlando Mocagatta, e o representante do Ente Nacional de Alto Rendimento Esportivo, Luis Calvimonte.

COM A PALAVRA
Professor Ronaldo George Helal, especialista em relações Brasil - Argentina

Estou preocupado. Existe um exagero muito grande nas relações que deviam ser somente jocosas. Quando começa a virar intolerância, preocupa muito.

Quando os argentinos chegam aqui no Brasil para os Jogos, é normal que se sintam donos do território, e os brasileiros se sentem incomodados com isso.

Acho que os brasileiros começaram essa história. Provocamos há muito mais tempo que eles vêm provocando. Se você pensar em termos de rivalidade, os argentinos têm outros rivais: ingleses, chilenos, uruguaios. Nós inventamos o argentino, porque até a decada de 1970 nosso rival era o Uruguai, por causa da Copa do Mundo de 1950. Nós começamos a crescer o argentino.

Nossas piadas são de um cunho moral muito sério. Eles estão cientes, revidando, e isso pode sair de relações jocosas para uma relação de intolerância.

FRASES

"Que os torcedores dos dois times se comportem como se fosse uma festa e não arrumem qualquer tipo de tumulto" - Manu Ginobili.

"A Arena vai ser uma mistura de cores, e isso vai ser muito bonito. Não estou com receio que as torcidas briguem, da mesma maneira que dentro de quadra haverá respeito" - Sergio Hernández.

"Eu creio que vai existir respeito" - Carlos Delfino.

"Creio que talento por talento temos mais, mas eles sabem jogar juntos. A torcida fará diferença até contra a juizada" - Nenê.