Raiza Goulão pedala para confirmar classificação à Rio 2016

Raiza Goulão vai disputar sua primeira Olimpíada (foto:Divulgação)

Guilherme Cardoso
25/05/2016
07:05
São Paulo (SP)

É embalada pela famosa música de Gilberto Gil, “Andar com fé”, que uma ciclista natural da cidade de Pirenópolis, em Goiás, vive a expectativa pela realização do maior sonho de sua vida. Principal nome do mountain bike feminino do Brasil na atualidade, Raiza Goulão, de 25 anos, aguarda a confirmação de sua classificação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Atualmente na 18ª colocação do ranking mundial, o nome de Raiza como representante do Brasil na Olimpíada pode ser definido nesta quarta-feira. Como sede, o país tem o direito de indicar um competidor por naipe.

– Estou ansiosa, mas a ansiedade vai se transformar em uma alegria muito maior. Tenho me dedicado bastante para isso nesse ciclo olímpico. Consegui atingir todas as minhas metas. Vai ser minha primeira Olimpíada, então, a expectativa é grande – disse a ciclista ao site do LANCE!.

Raiza não é jovem apenas na idade. Ela também tem poucos anos como atleta, já que começou a praticar o ciclismo somente em 2010. O interesse pela modalidade veio de uma brincadeira de criança, afinal, é difícil encontrar alguém que nunca subiu em uma bicicleta na infância.

– Não conhecia o esporte me si. Comecei a andar de bicicleta na minha cidade, até o dia que assisti a uma prova. Em seguida, tentei participar de uma competição em um município vizinho. Tudo começou como um hobby, já que trabalhava e estudava nessa época – explicou.

Formada em Administração, a brasileira deixou uma possível carreira em escritórios de lado para viver do ciclismo ao ar livre. Chegou até a participar de um projeto de Jaqueline Mourão, até hoje, única representante do Brasil no mountain bike em Jogos Olímpicos – competiu em Atenas-2004 e Pequim-2008.

Mas o esporte não é a única paixão de Raiza. A atleta não esconde o grande interesse por culinária e saúde. Em seu site oficial, não faltam dicas para uma boa preparação esportiva e de algumas receitas.

– Como tive problema com peso no inicio da carreira, me envolvi muito com a área da nutrição. Preparo tudo o que coloco na página – afirmou a ciclista, que conseguiu deixar os 65kg para atingir os atuais 55kg.

Ainda morando na pequena Pirenópolis, de menos de 25 mil habitantes, Raiza se mantém apenas com o esporte e agora quer brilhar na Rio-2016. Realista, tem como meta ficar no top 15 nos Jogos. Mas com o lema preferido dela, vale até sonhar um pouco mais. Afinal: “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma ‘faiá’”.

CONFIRA UM BATE-BOLA COM RAIZA GOULÃO:

Qual a expectativa para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro?
Raiza Goulão:
Não gosto de pensar em números, prefiro deixar para o momento. A gente vem fazendo uma análise dos treinos e da minha performance. Vou tentar buscar o top 15. Ainda não é o ano de brigar por uma medalha. Mas vai ser uma grande experiência.

Você iniciou a carreira em 2010 e, seis anos depois, já vai disputar sua primeira Olimpíada. Esperava crescer tão rapidamente?
RG:
Não. Nunca esperava me tornar uma atleta para brigar por uma vaga na Seleção, nem ser top 20 do mundo e, muito menos, me tornar uma atleta olímpica. Não imaginava ter essa evolução tão grande em pouco tempo. Tive muita dedicação para isso. Nunca desisti. Você sempre recebe muito não, passa perrengue em viagem, e tem sempre de persistir nos sonhos.

De onde surgiu a inspiração pela música “Andar com fé”?
RG:
Sou muito religiosa, até tatuei a frase na perna. Nunca pedi para ganhar, mas sempre para fazer meu melhor.

Como você vê a situação do ciclismo no Brasil?
RG:
O mountain bike e o ciclismo, em si, estão evoluindo. Não da forma mais rápida, mas estão crescendo. Falta o incentivo de grandes empresas, investir na base.

Você já andou na pista da Rio-2016. O que achou?
RG:
Participei do evento-teste, achei muito legal, gostei da pista. Ela é artificial, mas faz jus a uma Olimpíada. É um circuito bem interessante, me lembra alguns circuitos que já participei fora do Brasil. 

O destino da pista é incerto após a Olimpíada. Já foi conversado isso?
RG:
 Acho isso muto ruim, deveria ficar como legado. É uma pista de alto nível, onde as delegações e os atletas poderiam treinar. Seria muito bom para todos. Fico triste com isso e quero brigar para que se torne um legado.