Brasil ficou em segundo lugar nos Jogos Mundiais Militares da Coreia

Brasil ficou em segundo lugar nos Jogos Mundiais Militares da Coreia  (Foto: Divulgação/Ministério da Defesa)

Jonas Moura
05/11/2015
11:00
Rio de Janeiro (RJ)

Independentemente de qual seja o desempenho do Brasil nos Jogos Olímpicos Rio-2016, as Forças Armadas consideram-se satisfeitas na empreitada de investimentos na preparação de atletas de ponta. O Brasil já é visto no mundo como potência esportiva militar.

O problema é que a manutenção de benefícios para os esportistas visando ao plano mais ambicioso, o de tornar o país potência olímpica, esbarra até na legislação nacional.

Para ingressarem no Exército, Marinha ou Aeronáutica, os atletas têm “validade” de oito anos, com renovações periódicas. Quem é incorporado ainda jovem corre o risco de perder um importante apoio financeiro justamente no auge da carreira. Para ser militar permanente, é preciso ser aprovado em concurso.

"O que a Marinha gasta não é muito pelo bem que ela pode fazer" - Alm. Carlos Chagas,
Comandante do Cefan da Marinha

Entre as Forças Armadas, existe uma preocupação sobre o que fazer diante do obstáculo. Uma das estratégias é apostar em um programa de transição de carreira, que hoje tem como destaque o velocista Vicente Lenílson, prata no 4x100m em Sydney (AUS), em 2000, do Exército.

– Quando o atleta entra, sabe que tem oito anos de benefícios assegurados. É mais um recurso, mas é uma profissão. O que fazemos depois é um trabalho de desmobilização. Eles podem dar palestras, militar em cursos de Educação Física e passar um exemplo aos militares – disse o Coronel Carlos Eduardo Ilha, gerente da Comissão Desportiva Militar do Brasil (CDMB) do Ministério da Defesa.

A pasta do governo federal destina R$ 15 milhões por ano para o programa de apoio ao alto rendimento, iniciado em 2008. Com os recursos do Ministério do Esporte, o montante chega a R$ 25 milhões, fora os investimentos em reformas estruturais.

Para os Jogos do Rio, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) trabalha com a meta de ser top 10 no quadro de medalhas. As Forças Armadas, por sua vez, esperam pelo menos dez láureas de atletas militares. Um eventual fracasso não abalaria os planos de manutenção do apoio.

– Para nós, pouco muda. Já atingimos o objetivo de ser potência esportiva militar. Agora, é trabalhar para o próximo ciclo, otimizar o uso de recursos, melhorar instalações e agregar atletas – afirmou Ilha.

BATE-BOLA
Coronel Carlos Eduardo Ilha, ao LANCE!

‘Nossa intenção é a de procurar um alinhamento com as confederações’

Por que as Forças Armadas entraram de forma tão intensa em termos de investimento na preparação de atletas olímpicos?
O processo teve início com nossa vontade de sediar os Jogos Mundiais Militares de 2011. Um grupo recebeu orientações do COB e estudou países como Alemanha, França e Itália, que tinham atletas militares de alto rendimento. Após o evento, mantivemos para os Jogos Olímpicos.

Por que estão incorporando atletas de modalidades não militares, como o nado sincronizado?
Nossa intenção nacionalmente é procurar um alinhamento de calendário e de perspectivas. Temos trabalhos com várias confederações.

Qual é o impacto desse trabalho para os Jogos Olímpicos do Rio?
Dou o exemplo do Renzo Agresta, campeão na esgrima nos últimos Jogos Mundiais Militares. Conseguiu um título mundial inédito para o Brasil e e enfrentou grandes nomes do esporte dele. É uma forma de dar mais cancha, o que é um benefício.

O SUPORTE

Benefícios
Os integrados ao Programa Atletas de Alto Rendimento do Ministério da Defesa têm direito a soldos, 13º salário, locais para treinamento, participação nas competições do Conselho Internacional do Esporte Militar (CISM), plano de saúde, atendimento médico, odontológico, fisioterápico, alimentação e alojamento. A remuneração líquida do 3º sargento temporário é de cerca de R$ 3,2 mil mensais.
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Contemplados
Atualmente, mais de 700 atletas militares fazem parte do programa. Mais de 600 têm vínculo temporário.

COM A PALAVRA

Preocupação é mais que o alto rendimento

Alm. Carlos Chagas
Comandante do Cefan da Marinha

O Programa Olímpico da Marinha (PROLIM) foi oficializado em 2013, mas começou em 2008.Trabalhamos com os dois lados: o atleta de alto rendimento, que já chega pronto, e o que vem dos projetos de base. São crianças que não têm outro tipo de apoio. Detectamos precocemente alguns talentos que não vão explodir agora para 2016, mas para 2020. Entendemos que essa é a chave do sucesso.

O gasto nosso é basicamente o de pagar o salário dos atletas. O restante, como viagens e competições, vem de outras fontes, como as confederações, os clubes e o Ministério do Esporte. O que a Marinha gasta não é muito pelo bem que ela pode fazer.

Para o ano que vem, o Cefan será centro de treinamento oficial dos Jogos Olímpicos no futebol, polo aquático e vôlei. Há negociações com países para ficarem hospedados, como a Coreia.