Guilherme Cardoso
08/08/2016
20:28
Rio de Janeiro (RJ)

A simplicidade de Rafaela Silva é tanta que parece que a judoca ainda não conseguiu dimensionar o feito de sua conquista nesta segunda-feira nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O choro no pódio, o abraço nos familiares, a ovação do público presente na Arena Carioca 2... Nada disso foi capaz de mudar o estilo da judoca brasileira. E se você tem qualquer dúvida disso, basta perguntar o que ela deseja fazer depois de faturar a medalha de ouro na categoria até 57kg.

- Comer. Estava segurando o peso. Ainda não fui no McDonald’s da Vila (risos).

Isso é Rafaela Silva, com seu jeito tímido, muitas vezes sem papas na língua, batalhadora. Afinal, deixar a comunidade da Cidade de Deus no Rio de Janeiro para brilhar no mundo do judô não é fácil.

Mas antes de realizar sua principal vontade, a judoca ainda tem muitos compromissos. Afinal, a campeã mundial de 2013, agora também é campeã olímpica. E o que não faltam são pedidos de entrevista. Só nesta segunda-feira, ela vai passar por diversos canais de televisão. E a hora para comemorar ou comer? Isso é impossível de fazer qualquer previsão.

Sem esconder a felicidade pela conquista, como não poderia ser diferente, Rafaela também não esqueceu de quem tanto a criticou após a eliminação em Londres-2012. Não quis entrar em polêmica com quem chegou a chamá-la de macaco no passado, mas deixou a resposta no ar.

- Acho que não tem recado. Só a medalha no meu peito.

Segunda mulher do Brasil a conquistar um ouro nos Jogos Olímpicos no judô – a primeira foi Sarah Menezes –, Rafaela também não pensa em se tornar um símbolo contra o racismo. Até nesse momento, a simplicidade fala mais alto.

- A medalha de ouro para o Brasil é importante. Não importa se é de um negro ou um branco – avaliou.

Após pensar em abandonar o judô em 2012, Rafaela merece comemorar, sorrir, chorar, comer o que quiser. A frase pode até parecer um clichê, mas realmente o esporte muda a vida das pessoas. Para a judoca brasileira para melhor. E muito.

– O judô é minha vida. Comecei com cinco anos, não tinha objetivo, só queria brincar como todas as crianças da minha idade. Depois que eu comecei a levar a sério, ganhar as competições, que imaginei ser possível estar em um Campeonato Mundial, uma olimpíada. E agora tenho todos esses títulos na minha carreira – festejou a campeã.