Felipe Domingues
08/08/2016
18:51
Rio de Janeiro (RJ)

Estar na final era difícil. Brigar com grandes equipes, também. Tentar uma medalha, um sonho. Mas nessa segunda-feira, os ginastas brasileiros foram empurrados por milhares de vozes e, assim, começaram a sonhar. Na prova por times masculinos da ginástica, o Brasil era um dos melhores após cinco de seis rotações. Na quinta, o solo, porém, o sonho chegou ao fim.

O primeiro aparelho foi aquele que mais oferece lembranças positivas ao Brasil: as argolas. Arthur Zanetti era o principal destaque. E não fez feio. Apoiado pela torcida, conseguiu uma boa nota e colocou a primeira "fagulha" no sonho de uma medalha.

Na segunda rotação, o salto, Foi a vez de Sérgio Sasaki e Arthur Nory mostrarem que não estavam com vontade de acordar tão cedo... As boas notas de ambos colocaram o Brasil na quarta colocação após a rotação. 

Nas barras paralelas, Sasaki foi novamente a estrela. O ginasta mais completo do Brasil colocou o time nas costas pela segunda vez e manteve o país na briga por uma medalha história na modalidade. Seria possível?

Se havia alguma dúvida no ar, a apresentação de Francisco Barreto Júnior na barra fixa fez questão de mostrar a todos: o Brasil estava lá. E não foram só os ginastas que mostraram isso, a torcida, gritando muito por seus atletas, dava um "boost" de confiança que colocava o país em um quarto lugar na decisão.

Chegou a vez do solo. A prova em que o Brasil tem mais classificados para finais individuais, com Diego Hypolito e Arthur Nory. A disputa que serviria para, quem sabe, roubar a terceira colocação da Grã-Bretanha, e sonhar ainda mais alto, quem sabe olhando para a bandeira da nação no pódio?

Sérgio Sasaki foi o primeiro a se apresentar. Mostrava confiança, respirava fundo e, no primeiro salto, foi ao chão. Mas não de pé, sentado. Naquele exato momento, a expressão da comissão técnica e atletas brasileiros era a mesma, aquela de quem acorda assustado, pedindo apenas mais cinco minutinhos para continuar o sonho, encerrando abruptamente por uma nota 12,100.

Nem o bom desempenho de Hypolito na prova (15,133), ou dos outros integrantes da equipe no cavalo com alças foi capaz de fazer com que os brasileiros pudessem sonhar novamente.

Era hora de acordar. Mas nem tudo são lamentos. Após classificar pela primeira vez uma equipe à uma edição de Jogos Olímpicos, os brasileiros se garantiram na final e, no fim, terminaram na sexta colocação geral. Um bom desempenho que já abre um próximo sonho na cabeça do torcedor: por que não em Tóquio (JAP), daqui a quatro anos? É aguardar para ver. Ou melhor, sonhar.

Veja abaixo a performance dos brasileiros em cada aparelho:
- Argolas:

Arthur Zanetti - 15,566
Francisco Barreto - 14,400
Sérgio Sasaki - 14,366

- Salto
Sérgio Sasaki - 15,133
Arthur Nory - 15,066
​Diego Hypolito - 14,833

- Barras paralelas:
Sérgio Sasaki - 15,133
Francisco Barreto - 14,700
Arthur Nory - 14,700

- Barra fixa:
Francisco Barreto - 15,166
Arthur Nory - 14,933
Sérgio Sasaki - 14,566

- Solo
Diego Hypolito - 15,133
Arthur Nory - 14,500
Sérgio Sasaki - 12,100

- Cavalo com alças

Sérgio Sasaki - 14,633
Arthur Nory - 14,400
Francisco Barreto - 14,400​

Japão conquista a medalha de ouro com sobras

O ouro na prova por equipes ficou com o time japonês, formado por nomes como Kohei Uchimura, o mais completo ginasta do mundo, e Kenzo Shirai, melhor do mundo no solo. O elenco asiático foi vice-campeão nas duas últimas Olimpíadas.

Último time a se apresentar, a Rússia ficou aguardando uma nota para confirmar se poderia ultrapassar os chineses e levar a prata e, após o resultado final, a festa foi enorme, já que a vantagem foi de apenas 0,329.

O bronze ficou com a China. Em quarto, chegou a Grã-Bretanha, seguida por Estados Unidos, Brasil, Alemanha e Ucrânia.

Confira a classificação final da competição:
1) Japão - 274,094
2) Rússia - 271,453
3) China - 271,122
4) Grã-Bretanha - 269,752
5) Estados Unidos - 268,560
6) Brasil - 263,728
7) Alemanha - 261,275
8) Ucrânia - 202,078