Daniel Bortoletto
17/08/2016
00:29
Rio de Janeiro

O sonho do tricampeonato olímpico virou pesadelo na madrugada desta quarta-feira. A Seleção Brasileira feminina de vôlei perdeu, de virada, para a China por 3 sets a 2, parciais de 15-25, 25-23, 25-22, 22-25 e 15-13 e está eliminada na quartas de final da Rio-2016. Parece inacreditável, mas é real.

O time, até então invicto e sem perder sets, fez um primeiro set impecável. Ligado no 220V, o Brasil colocou uma pressão absurda. E a China nitidamente sentiu. Ting Zhu, a melhor jogadora desta geração, foi impiedosamente caçada pelo saque. Com dificuldade no passe, ela teve baixíssimo aproveitamento no ataque. Sem Zhu a equipe de Lang Ping mostrou "normal". Aquela quarta colocada do Grupo B, com campanha abaixo das expectativas até ali, parecia morta.

E tal sentimento deve ter feito mal para o Brasil. o passe sofreu uma instabilidade preocupante no segundo set, permitindo que as chinesas assumissem o controle do placar de forma inédita. Mas nada parecia fora do controle, até que os erros de saque apareceram. Aquela pressão inicial desapareceu. E esse momento custo a primeira parcial perdida nos Jogos.

O terceiro set foi mais nervoso, com os times se alternando no placar até o 13º
ponto. Zé Roberto então trocou Natália, alvo do saque chinês, por Jaqueline. O Brasil fez dois pontos seguidos e teve um contra-ataque para fazer 16 a 13. Errou e se descontrolou. A China parou de dar pontos de graça e virou, para incredibilidade do Maracanãzinho.

No quarto set, Zé Roberto trocou Thaisa por Juciely, voltando Natalia no lugar de Jaque. A China chegou a abrir três pontos 12 a 9. O cheirinho de tragédia começou a ser sentido. Mas faltava entrar em quadra um jogador: o torcedor. E ele se fez presente quando Fabiana empatou, com um ace, em 14 a 14. Daí em diante ele não saiu mais de quadra, ajudando o time a construir uma virada. E forçar o tie-break, com Juciely decisiva no ataque e no bloqueio.

No quinto set, nervosismo mais do que evidente. A troca de pontos aconteceu até o 5 a 4, quando Lang Ping sentiu o Brasil crescer e parou o jogo. E a partida seguiu ponto cá, ponto lá. Até Ting Zhu aproveitar um contra-ataque e abrir 9 a 7. Foi a vez de Zé Roberto pedir tempo. O empate não tardou a chegar, com Garay: 10 a 10. Mas logo depois o passe falhou e as chinesas voltaram a ter dois de frente: 12 a 10. E daí não teve mais virada. Infelizmente! O Maracanãzinho chorou!