Velejador Ricardo Winicki, o Bimba (Foto: William West/AFP)

Velejador Ricardo Winicki, o Bimba (Foto: William West/AFP)

Igor Siqueira
14/08/2016
17:30
Rio de Janeiro (RJ)

O velejador Ricardo Winicki, o Bimba, terminou na sétima colocação geral da classe RS:X, que teve como campeão o holandês Dorian Van Russelberghe, como vice o britânico Nick Dempsey e como terceiro colocado o francês Pierre Le Coq. Na visão de Bimba, que participou da quinta edição de Jogos Olímpicos, o saldo da qualidade da água foi, dentro do possível, positivo. No entanto, o brasileiro questionou o legado que os Jogos deixam para a Baía de Guanabara.


- A organização foi nota 10. Até o lixo colaborou. Sei que muito pouco foi feito. Essas águas limpas não são reais. Em uma semana, vão estar poluídas de novo. Infelizmente, não ficou o legado que tinha de ficar. Tinha dinheiro suficiente. Se não me engano, desde 1990, já gastaram algumas centenas de bilhões em tentativas de limpar a Baía e nada aconteceu. É uma pena. Em relação a evento, organizadores, juízes, não tenho o que reclamar. Fiquei muito satisfeito - afirmou Bimba, após a regata da medalha neste domingo, na qual acabou em sexto.

Bimba ainda abordou mais o tema, ressaltando que o lixo não trouxe prejuízo à competição.

- Se tiver (legado), é tão insignificante que não é do tamanho de uma Olimpíada. Não tivemos problemas com saco plástico. Se foi por sorte ou competência, não sei. Para uma Olimpíada no Rio, com competição de vela dentro da Baía, eu particularmente esperava muito mais. Meus adversários e amigos também. Estava com medo de passarmos vergonha, mas isso não aconteceu - comentou o velejador brasileiro.

O campeão olímpico também concordou. Dorian Van Russelberghe lembrou a promessa da candidatura brasileira de alcançar um nível de 80% de despoluição da Baia de Guanabara.

- Sobre a água, não estava tudo OK. Brasil fez uma promessa há alguns anos e eles não puderam cumpri-la. Mas o que dá pra dizer? Brasil mau! Há muitos problemas no país, é um país lindo. É lamentável, mas pelo menos eles tentaram, ainda estão tentando. Tomara que eles percebam que eles têm que olhar para a cidade, a água. Mas, em geral, foi muito bom - comentou, exaltando a disputa dentro da água.

O velejador brasileiro, por fim, revelou o desejo de estar na ativa nos Jogos de Tóquio, em 2020.

- Saio de cabeça erguida. Pretendo estar em Tóquio. Enquanto estiver entre os dez melhores do mundo e fazendo meu trabalho, vou estar velejando - completou.