Daniel Paiola tem apenas 26 anos, mas já pensa em parar após a Olimpíada do Rio de Janeiro (Foto: João Pires/FotoJump)

Daniel Paiola tem apenas 26 anos, mas já pensa em parar após a Olimpíada do Rio  (Foto: João Pires/FotoJump)

Felipe Domingues
15/03/2016
07:35
São Paulo (SP)

O futuro do esporte olímpico no Brasil é desconhecido após agosto. O motivo? O fim da Olimpíada do Rio. Enquanto o país teve o maior investimento esportivo da história no ciclo que precede os Jogos na cidade carioca, a dúvida entre os atletas é quanto desse valor será mantido após o evento. E para Daniel Paiola, segundo melhor brasileiro no badminton, o pensamento não é diferente.

Em entrevista ao LANCE!, o jogador disse que irá se aposentar do esporte caso os investimentos diminuam nos próximos anos.

Impulsionado pelo Plano Brasil Medalhas, do Ministério do Esporte, lançado em setembro de 2012, o esporte no país recebeu um aporte adicional de R$ 1 bilhão, visando a realização dos Jogos Rio-2016. Com isso, modalidades menores, como o badminton, puderam se preparar melhor nesse período.

– Tivemos um bom incentivo e consegui viver do esporte, coisa que no último ciclo (2012) não aconteceu. Naquela época, usei meu dinheiro para competir. De 2008 a 2012, a modalidade era praticamente amadora, tentava-se na última hora e, se conseguiu, conseguiu, se não, tudo bem – disse Paiola, ao LANCE!.

– Se o Brasil seguir com incentivo, não seria minha hora de parar. Os atletas de esportes menores têm de ter essa consciência, de viver o esporte intensamente, mas se preparar para o futuro. Caso o apoio seja cortado, terei de mudar o foco. Me concentrar na faculdade (Direito) e levar o badminton só como um hobby – completou o atleta de 26 anos.

'Teríamos de ter um legado à população. E em questões individuais, não sei se as modalidades e confederações fizeram um planejamento e aproveitaram a verba extra pensando no futuro' - Daniel Paiola

Com o incentivo à modalidade, a Confederação Brasileira de Badminton (CBBd) montou uma estrutura melhor para esse ano. Os atletas puderam treinar no Brasil, com um técnico estrangeiro – o português Marco Vasconcelos – e “profissionalizaram” a comissão técnica, com a contratação de fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e outros.

Atualmente, pelo ranking olímpico, Paiola (106º) estaria fora da Rio-2016, já que o Brasil tem apenas uma vaga e Ygor Coelho (70º) lidera essa lista.

Assim, com o pensamento além do evento no Rio, o atleta afirma não ter medo, ainda que seu futuro e o do esporte no Brasil sejam incógnitas.

– Não tenho medo, mas dúvidas. Hoje não é o momento de parar de estudar para gastar com competições ou treinar fora – encerrou.

BATE-BOLA Daniel Paiola Atleta do badminton, ao L!

LANCE - Você acha que o Brasil aproveitou essa Olimpíada no país?
Daniel Paiola - Tenho minhas dúvidas. Em legado, não sei se o Brasil aproveitou tão bem como já vi em outros países. Visitei cidades que foram sedes e o legado para a população foi enorme. Não sei se vejo isso hoje, temos de aguardar. Se você analisar, o propósito dos Jogos é esse, não apenas realizar um evento esportivo e tchau. Teríamos de ter um legado para a população. E em questões individuais, não sei se as modalidades e confederações fizeram um planejamento e aproveitaram a verba extra pensando no futuro.

L! - Você está pronto para parar de jogar se o investimento cair?
DP - Sim, porque eu sempre tive um plano B. Mesmo com viagens, campeonatos e treinos, nunca deixei de estudar.

L! - Ficará triste se não for ao Rio?
DP - Mesmo se eu não for, falo de coração, estarei lá na torcida gritando, porque sei que o Ygor Coelho se esforça muito. Espero que ele pense igual a mim.