Velódromo Olímpico

Velódromo olímpico ainda não foi entregue pela prefeitura ao Rio-2016 (Foto: Renato Sette Camara/Divulgação)

Jonas Moura
27/04/2016
10:00
Rio de Janeiro (RJ)

Se existe algo que os responsáveis pela organização dos Jogos Olímpicos Rio-2016 não podem reclamar a 100 dias da cerimônia de abertura é da falta de avisos sobre eventuais problemas. Desde o início da série de 44 eventos-teste, em julho do ano passado, o Rio presenciou diversos obstáculos: obras atrasadas, necessidade de improvisar arenas e quedas de energia são exemplos.

Embora o avanço na estrutura de competições seja notável, nem tudo convenceu. Duas obras ainda preocupam a prefeitura e o Comitê Rio-2016. A principal é o velódromo, palco das provas de ciclismo de pista.

Com 85% de conclusão, a arena não ficou pronta a tempo do prazo (dezembro de 2015) por problemas financeiros da construtora Tecnosolo. O evento-teste, que aconteceria entre 30 de abril e 1 de maio, precisou ser cancelado. Operários ainda trabalham para fazer os acabamentos da pista e a montagem das arquibancadas. O custo já atingiu os R$ 143 milhões.

Outro ponto de atenção é o Estádio Nilton Santos, que receberá atletismo e futebol. Em reforma desde abril do ano passado, com custo de R$ 52 milhões, o local foi alvo de críticas do Comitê Olímpico Internacional (COI) na última visita ao Rio, neste mês. A entidade quer que seja feita uma pintura da fachada para dar uma aparência melhor à instalação. O evento-teste do atletismo acontece entre 14 e 16 de maio, mas ainda não há previsão para o fim das obras. 

– Os desafios mais críticos são o velódromo e o Estádio Olímpico. É onde temos atenção maior – disse o diretor de instalações do Comitê Rio-2016, Gustavo Nascimento, ao LANCE!.

As críticas ao Brasil ganharam eco em abril após problemas em eventos-teste de grande importância. No Qualificatório Final de Ginástica, na Arena Olímpica, e no Maria Lenk, no Estádio Aquático, o improviso custou caro, e houve queda de energia. O Comitê diz que o fato não se repetirá em agosto.

– Ainda não estamos com a instalação definitiva de energia elétrica ligada. Estamos na fase de ligação para tender a carga que é exigida. Nossa expectativa é de que no mês de maio todas as instalações estejam com a energia definitiva, a que não falha, pois é gerada na hora – afirmou Marcelo Pedroso, presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO).

Estádio Aquático
Estádio Aquático teve apagão em abril (Foto: Bruno Lorenzo)

Já no Centro Nacional de tiro esportivo, em Deodoro, há obras de iluminação e acabamento que impedem os brasileiros de se ambientar ao lugar nos próximos meses.

– Alteraram a tonalidade (de amarelo para branco) da lâmpada dos alvos, para não interferir na filmagem da televisão. A única vantagem de competir em casa seria treinar lá, mas não podemos – reclamou Felipe Wu, líder do ranking mundial na pistola de ar de 10m.

Outra barreira é que, para atender ao pedido do atleta, o Comitê precisaria acertar a disponibilidade dos alvos, que são alugados.

– A desvalorização da moeda nacional brasileira tornou os projetos olímpicos mais complicados. Deodoro é um exemplo claro disso. Muitos equipamentos precisam ser comprados de outros países, e o custo é alto – afirmou o vice-presidente da Federação Internacional de Tiro Esportivo (ISSF), Gary Anderson.

O custo oficial dos Jogos Rio-2016 até agora é de R$ 39,1 bilhões, divulgado em janeiro.

Felipe Wu
Wu lidera ranking mundial na pistola de ar 10m (Foto: Divulgação ISSF)

Palco da natação vive impasse por ventilação

Além da queda de energia que afetou a área de competição horas antes de Cesar Cielo fracassar na tentativa de se ir aos Jogos Olímpicos do Rio, na semana passada, o Estádio Aquático tem outro problema a solucionar: o impasse sobre como aliviar o calor.

No Troféu Maria Lenk, que serviu de evento-teste da natação, os atletas admitiram o desconforto com a alta temperatura no interior da instalação. A Federação Internacional (Fina) pede que um sistema de ventilação artificial seja implantado, mas o Comitê Rio-2016 já admite que a promessa pode acabar apenas no papel.

– Não temos ainda um plano de ventilação forçada. O que temos feito são estudos para avaliar se a temperatura vai continuar subindo. Hoje, ela é diferente do que veremos nos Jogos, no inverno. Temos um estudo de oscilação. Se chegarmos perto de 30º C no deck, teremos um nível agradável – afirmou Rodrigo Garcia, diretor de esportes do Rio-2016.

O comitê entende que sua responsabilidade é na operação das instalações, e se recusa a gastar com um sistema de ventilação. Ao mesmo tempo, a prefeitura não está disposta a arcar com novas despesas.

Rodrigo Garcia - Diretor de Esportes do Comitê Rio-2016
Rodrigo Garcia admite que Estádio Aquático pode não ter sistema de ventilação nos Jogos Olímpicos (Foto: Bruno Lorenzo)