Guilherme Cardoso
06/08/2016
06:05
Rio de Janeiro (RJ)

Imagine se tornar a primeira mulher do Brasil campeã olímpica no judô com apenas 22 anos. É praticamente impossível não se encantar com o assédio, a fama, a badalação... Isso tudo aconteceu com Sarah Menezes, medalhista de ouro em Londres-2012. A queda de rendimento no tatame veio dois anos em seguida ao título. E para mantê-la focada na busca pelo bicampeonato olímpico nos Jogos do Rio de Janeiro, neste ano, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) resolveu dar um susto na competidora e até fazê-la pensar que poderia ficar fora da competição.

Neste sábado, a partir das 10h (de Brasília), na Arena Carioca 2, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, com o início das disputas do judô, Sarah vai poder mostrar se o susto deu certo.

Com resultados abaixo do esperado nas temporadas de 2014 e 2015, a campeã olímpica entrou na zona de conforto. Foi então que a CBJ resolveu agir. Primeiro, passou a incentivar o crescimento de Nathália Brígida na categoria até 48kg. A novata passou a ser levada para grandes competições, conseguindo bons resultados. Em seguida, veio o ápice, quando a então titular na categoria foi cortada dos Jogos Pan-Americanos de Toronto (CAN), em 2015.

– A gente não tinha dúvidas de que a Sarah estaria nos Jogos Olímpicos. Ela começou a ficar realmente preocupada quando ficou fora do Pan – afirmou o gestor de Alto Rendimento da CBJ, Ney Wilson ao L!.

– Isso é para tirar o atleta da zona de conforto. Imagina uma competidora que foi campeã olímpica no ciclo anterior ficar na dúvida de que vai lutar a Olimpíada no próprio país. Ela ficou na dúvida até o início do ano. A Nathália fez um excelente Mundial no ano passado, é jovem (tem 23 anos). A gente falava para ela abrir o olho. Isso funcionou – complementou a treinadora da Seleção Brasileira, Rosicleia Campos.

Uma das primeiras medidas aceitas pela judoca foi a mudança de Teresina (PI) para o Rio de Janeiro (RJ). Perto dos técnicos do Brasil, Sarah voltou a ficar mais focada nos treinamentos e passou a cuidar mais da alimentação. Afinal, manter o peso em 48kg é uma situação complicada.

– Ela se adaptou muito bem, essa era a grande dúvida. Não adianta montar uma megaestrutura se o atleta não estiver adaptado. Foi super positiva essa mudança. A alimentação é o carro-chefe para a Sarah. Ela é peso ligeiro, mas quer comer como se fosse uma peso pesado. A nutricionista da Seleção mora no condomínio ao lado, então é na coleira (risos) – disse Rosicleia.

O resultado positivo da mudança foi percebido logo. Sarah voltou ao pódio nas principais competições internacionais e afastou qualquer fantasma de uma possível não-participação na Rio-2016. De quebra, ainda entrou nos Jogos como uma cabeça de chave.

– A diferença para Londres é justamente o título. Antes, eu não era ninguém, era uma atleta como as outras. Hoje, sou a atleta a ser batida por ser a campeã olímpica desse momento. Não tenho nenhuma ansiedade – afirmou judoca.

DESCE E SOBE

Queda

Nas duas últimas temporadas (em 2014 e 2015), a Sarah Menezes foi ao pódio somente seis vezes (três em cada ano). Se não bastasse, nos Mundiais de 2014 e 2015, a brasileira acabou derrotada logo em sua estreia. Para piorar, acabou cortada dos Jogos Pan-Americanos de 2015, em Toronto (CAN).

Recuperação
Após ficar fora do Pan, Sarah percebeu que precisaria mudar para se garantir na Rio-2016. Mudou para a capital carioca e com novos hábitos retomou os bons resultados. Neste ano, foi ao pódio em cinco competições, com dois ouros (Grand Prix de Havana e Campeonato Pan-Americano), uma prata e dois bronzes.