Antônio Carlos Barbosa

Barbosa retornou à Seleção no início deste ano (Foto: Andrej ISAKOVIC / AFP)

Bernardo Cruz
12/08/2016
08:10
Rio de Janeiro (RJ)

A eliminação na fase de grupos da Seleção feminina de basquete nos Jogos Olímpicos pode também aproximar o fim de outro ciclo. Antônio Carlos Barbosa deixou em aberto a continuidade no cargo, que voltou a assumir em janeiro após a saída de Luiz Augusto Zanon no fim do ano passado.

Franco, o treinador da Seleção Brasileira analisou mais um fim de ciclo onde a equipe não consegue resultados expressivos. Além de não saber como será seu futuro no cargo, uma vez que a Confederação Brasileira de Basquete terá eleições neste ano, Barbosa crê que não deverá continuar. E fez um desabafo reflexivo:

- Acredito que não (permanência). Vim em uma situação emergencial. Só que desde o começo (quando saiu da Seleção em 2007) fui marginalizado. Foi uma burrice tirar um técnico que estava na Seleção há 22 anos, que era meu caso, e começar a trocar técnico igual a você troca de roupa. Após a minha saída rodaram cinco profissionais no cargo onde estive por 11 anos. Lógico que o resultado não vai vir. Acredito que meu papel agora seria melhor como supervisor, dando apoio a um treinador. E também chega uma hora que mesmo com boa saúde não dá mais - declarou o técnico, que não afirmou ter mágoa com o que aconteceu:

- Não tenho mágoa. Quem deve ter foi quem decidiu lá atrás pela minha saída.

Analisando o futuro da modalidade, Barbosa que o time que representou o Brasil nos Jogos terá uma boa base. No entanto, ele foi categórico ao afirmar que o basquete feminino precisa de investimentos e principalmente intercâmbio e maior experiência contra times mais fortes.

- Acho que essa equipe tem uma base para os próximos quatro anos. Tem a Damiris, a Clarrisa, Joyce. Mas precisa investir, fazer jogos contra equipes fortes, períodos de treinos. Fortificar o torneio nacional. Tem meninas que só atuam aqui dentro, então chega em uma competição do porte da Olimpíada sente falta de testes deste nível. Lá atrás, quando assumi, peguei a geração sem Paula e Hortência. Fizemos muitas excursões, torneios e um time que chegou desacreditado em Sydney ganhou o bronze. Só assim podemos conquistar resultados - finalizou.

Com quatro derrotas no Grupo A, o Brasil se despede da Rio-2016 neste sábado, às 15h30, na Arena da Juventude, em Deodoro, no duelo diante da Turquia.