Lucas Pastore
24/08/2016
06:05
Rio de Janeiro (RJ)

Se o medo de terrorismo e violência que estampou manchetes antes da Olimpíada do Rio de Janeiro hoje soa injustificável, três jogadores de basquete que atuaram nos Jogos ainda têm de lidar com preocupação semelhante. Os sérvios Bogdan Bogdanovic e Nikola Kalinic, que levaram a prata, e o francês Thomas Huertel, eliminado nas quartas de final, deixam o Brasil rumo à Turquia, que enfrenta conturbada crise política.

A liga turca é uma das mais fortes do mundo. O Fenerbahçe de Bogdanovic e Kalinic foi vice-campeão europeu na última temporada, perdendo a final para o CSKA Moscou, da Rússia, na prorrogação em sua segunda participação seguida no Final Four. O Anadolu Efes, de Heurtel, será o outro representante do país na temporada 2016/2017 da competição.

O cenário seria atrativo para estrangeiros se não fosse pela crise política do país. Desde que o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan pediu para que o Parlamento convocasse eleições gerais antecipadamente e propôs mudanças no sistema que escolhe os presidentes, a tensão entre os nacionalistas e os políticos de raízes muçulmanas aumentou. O conflito já teve até tentativa de golpe militar.

Bogdan Bogdanovic:
"É ruim, mas é um problema do mundo inteiro, não só de dois países. Mas, quando pisamos na quadra, não pensamos nesses problemas"

A crise faz com que o trio não possa relaxar com a ausência de problemas graves no Rio – como Mike Krzyzewski, que encerrou sua passagem pela seleção americana masculina de basquete com a medalha de ouro, pôde fazer.

- Existiu uma publicidade muito ruim sobre o Rio antes das Olimpíadas começarem, mas tem sido o oposto. Amamos a estadia aqui, e não poderíamos ter tido um melhor tratamento – afirmou o Coach K.

Se a tensão já acabou para muita gente, para Heurtel, Bogdanovic e Kalinic ela está só começando.

BATE-BOLA
Prof. Me. Dídimo Matos. Doutorando em Geopolítica na USP

A curto prazo, quais serão as principais diferenças da Turquia pré e pós golpe?
O regime vai endurecer, o golpe frustrado, que se especula ter sido planejado pelo próprio Erdogan, vai ampliar os poderes do executivo tornando a Turquia numa ditadura que não deve ser branda. Já se pode ver algo nesse sentido com as prisões de suspeitos e de envolvidos na tentativa de golpe.

Para os estrangeiros, você acha que as coisas vão melhorar ou piorar?
Dificilmente algo vai melhorar a curto prazo, mas não deverá haver prejuízo aos que lá estão, Erdogan não quer ficar mal visto na comunidade internacional nem na Europa, então deve manter suas medidas exclusivamente sobre turcos afetando principalmente desafetos políticos.

Olhando externamente, acha que a imagem que o novo governo passará tende a ser atrativa ou repelente para os estrangeiros?
O novo governo será um velho governo com mais poderes, não deve atrair imigrantes, seja os fugidos do Oriente Médio, seja europeus, nem os que precisam de ajuda, nem os que investem. De outro lado deve gerar imigrantes para a Europa, descontentes irão sair de lá rapidamente aumentando ainda os problemas de imigração do continente.

PARTIU

Na Olimpíada
Bogdanovic deixou os Jogos do Rio com médias de 12,2 pontos, 3,6 rebotes e 2,6 assistências em 26,1 minutos por exibição, enquanto Kalinic sustentou 4,8 pontos, 3,2 rebotes e 1,4 assistências em 18 minutos por jogo. Eles levaram a prata com a Sérvia. Heurtel, por sua vez, anotou 9,7 pontos, 4,5 assistências e 3,2 rebotes por partida e foi eliminado nas quartas de final com a França.

Na Turquia
Bogdanovic e Kalinic também são colegas de equipe no Fenerbahçe, atual vice-campeão europeu. Heurtel é jogador do Anadolu Efes.

NÚMEROS

anos de contrato têm Bogdanovic e Kalinic com o Fenerbahçe: um garantido e mais uma opção de renovação.

1 ano de contrato de Heurtel com o Anadolu Efes.