Eduardo Paes, Francisco Dornelles, Dilma Rousseff e Carlos Nuzman na inauguração

Eduardo Paes, Francisco Dornelles, Dilma Rousseff e Carlos Nuzman na inauguração do Estádio Aquático da Rio-2016, que sediou o evento-teste da natação em abril (Foto: Prefeitura do Rio/Renato Sette Camara)

Jonas Moura
27/04/2016
09:00
Rio de Janeiro (RJ)

O Brasil chega à contagem regressiva de 100 dias para o início dos Jogos Olímpicos Rio-2016 mergulhado em um cenário muito distinto daquele que tanto foi celebrado em 2009, época da escolha da cidade como sede do megaevento.

Em meio à crise econômica, o país vê algumas de suas principais autoridades balançando em seus cargos. A começar pela presidente Dilma Rousseff, cujo processo de impeachment foi aprovado pela Câmara dos Deputados e será votado pelo Senado em maio. É possível que ela nem receba a tocha olímpica, que desembarcará em Brasília na terça-feira.

As articulações no caso de uma eventual queda de Dilma podem afetar cargos essenciais na “montagem” da Olimpíada, como o de Ministro do Esporte. Ricardo Leyser, que assumiu a pasta interinamente no lugar de George Hilton, em março, não está garantido no posto se Michel Temer assumir a presidência.

– Acredito que as equipes envolvidas sigam até o final, mas qualquer mudança que aconteça não afetará o operacional dos Jogos – afirmou o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Marcelo Pedroso, responsável por intermediar as ações entre União, estado e município na organização da Olimpíada.

A explicação de Pedroso é que, hoje, as principais decisões que dependiam dos governos na prestação de serviços e no atendimento das demandas do Comitê Olímpico Internacional (COI) já foram tomadas. 

Aos trancos e barrancos, o Rio tem quase todas as arenas finalizadas, sem riscos. Resta saber se isso será suficiente para atender às expectativas do mundo. O COI já ligou o alerta.

Com a palavra

Confiança do COI no Brasil já aumentou

Marcelo Pedroso
Presidente da APO

Não temos nenhuma grande decisão a ser tomada pela frente. Temos, cotidianamente, decisões menores relacionadas à implementação das maiores. Mas o principal já foi. Então, não avalio que mudanças políticas impactem na reta final. As instalações estão passando para a gestão do Comitê Rio-2016. A relação do COI é sempre de estado. Houve reuniões mais acaloradas no passado, mas, à medida que entregamos as arenas e fazemos os eventos-teste, as dúvidas diminuem. Em alguns casos, duvidaram de nós, mas depois saíram daqui nos elogiando. Havia, talvez, um preconceito no mundo de que nós não conseguiríamos fazer determinadas entregas, como no golfe, esporte em que não temos tradição. Quando as fazemos, há um impacto positivo em nossa imagem. A cobrança diminui, e a credibilidade aumenta.