Pedro Gonçalves

Pedro Gonçalves foi o quinto melhor classificado neste domingo (Foto: CARL DE SOUZA/AFP)

Marcelo Laguna
07/08/2016
18:19
Enviado especial ao Rio de Janeiro (RJ)

Mais de oito mil pessoas assistindo a uma prova de canoagem no Brasil. Só o fato em si já chamaria a atenção. Mas reunir esse público em uma edição de Jogos Olímpicos e ainda ver um canoísta classificado entre os 15 melhores do mundo foi para deixar o paulista Pedro Gonçalves quase que em êxtase com a reação do público neste domingo, após ficar em quinto lugar na prova do K1 (caiaque individual) na competição disputada no Parque Radical de Deodoro. Nesta quarta-feira (10), ele disputará a semifinal e quem sabe até um lugar na final.

- Foi só classificatória, agora tudo zera, começa uma prova totalmente diferente na semifinal. Será um jogo mental forte, a gente tem a pressão de estar em casa, porém hoje foi fantástico, converti tudo para o lado positivo. Ver todo esse povo gritar por mim, pelo Brasil, isso ficará marcado pelo resto da minha vida – disse Gonçalves, de 23 anos, paulista de Ipaussu, mas que foi criado em Piraju (SP), um dos principais polos de revelação de talantos na modalidade.

Gonçalves, medalha de prata no K1 do Pan de Toronto, empolgou o bom público que compareceu ao Parque Radical de Deodoro logo na primeira bateria, quando conseguiu um excelente tempo (88.45, com duas penalidades). Depois, foi superado pelo italiano Giovanni de Gennaro e finalizou a primeira série em segundo lugar. Na segunda bateria, fez um tempo inferior e acabou superado por outros três competidores, acabando na quinta posição entre os 15 que avançaram para a semifinal.

- Espero conseguir dar o melhor na semi, sei que sou capaz, e passar para a final. E na final, com essa arquibancada lotada, vai ser fantástico. Nunca tinha competido com tanta gente, acho que um público assim só mesmo em Jogos Olímpicos, meu sonho é mudar essa realidade também – disse o brasileiro, que ficou fora dos Jogos de Londres-2012 por apenas 13 centésimos.

- Fiquei sem a vaga por um toque na penúltima baliza na seletiva. Isso foi marcante na minha vida. Lamentei e chorei por não ter ido, mas depois de quatro meses vi que aquilo poderia servir de motivação e hoje lembro deste momento pelo lado positivo. Agora estou aqui, estreando em Jogos Olímpicos competindo em casa – afirmou Gonçalves, que também festejou o fato só surfe ter sido um dos esportes incluídos no programa esportivo da próxima Olimpíada.

- Acho até que mais para frente o surfe pode se juntar com o slalom, fazer onda artificial como tem em Dubai. Por que não fazer uma união entre surfe e slalom e os dois se fortaleceram ainda mais nos Jogos Olímpicos?

Eliminado


O contraste da alegria de Pedro Gonçalves era a decepção de Felipe Borges, eliminado na prova do C1 (canoa individual), ao terminar em 16º entre 19 competidores. A primeira bateria de Borges foi péssima, quando terminou em último lugar, após cometer 14 penalidades. Tentou se recuperar na segunda série, mas não teve sucesso e encerrou neste domingo mesmo sua participação.

- Nunca tive uma torcida tão grande como hoje e na primeira descida acho que perdi o foco pelo apoio que era muito grande. Na segunda eu tentei recuperar mas não tive sucesso. Fiquei um pouco surpreso com tanta torcida aqui – explicou o atleta, nascido em Foz do Iguaçu (PR).

Nesta segunda-feira, mais brasileiros competirão no Parque Radical de Deodoro. Na C2 (canoa dupla) masculina, haverá as séries eliminatórias com a participação de Anderson Oliveira e Charles Correa. E no K1 feminino, a principal esperança de bom resultado do Brasil, com a participação de Ana Sátila Vargas. As disputas começarão às 12h30.